É como um mantra, sabe ?
Hoje quero emprestá-lo...
Entrava em cada uma daquelas pequenas lojas para ver as figurinhas de barro, os tapetes trançados, os passarinhos de madeira, e os pequenos oratórios.
Três jovens sobem as escadarias do metrô, irreverentes, usando jeans e camisetas coloridas, dreadlock nos cabelos, carregando lindas caixas de violino. Andam na direção da Rua Galvão Bueno, em pleno bairro da Liberdade, numa tarde quente de verão.
Acordei pensando em como devo chamá-los...
Não sei dizer exatamente quando comecei a me desapegar das coisas. 
O que posso eu, agora, diante de teus olhos sedentos, dizer, que ainda não tenha dito ?
Já sofri por amor. Todos sofremos.
Saudade do agora, que vejo escorrer entre meus dedos, que mal acabei de escrever e já virou lembrança.
Já fui sim menina-caipira.
Nos idos dos anos 70 morei numa cidadezinha rural, de ruas tortas, de terra batida e casinhas de madeira com seus enormes quintais. Eu tinha pouco mais de cinco anos, e é uma das minhas lembranças mais antigas.
Lembro do piano da escola, dos enormes besouros, do poço no fundo de casa, da Igrejinha, do capeletti in brodo, do frio pungente e dos eucaliptos gigantes.
Com eles papai fazia celulose.
E eu fazia poesia.
Sem nem saber.
É que ficava flutuando o olhar sobre aquelas toras de madeira castanha por horas sem fim. Desta maneira tocava com os olhos o que para mim era a felicidade : um tanto de verde, de vento, e o perfume que dava significado ao ar.
Hoje, a despeito de ser (estar) urbana e cosmopolita, vejo eucaliptos daqui da janela de casa, de onde escrevo. E, de alguma forma, estão sempre em meus caminhos.
Cuido para que não sejam só memórias...
Ontem, quando comecei a escrever o blog, eram uma pergunta.
Hoje são só deslumbramento...
Tudo aqui é verdade. Pelo menos é a minha verdade.
É minha maneira ritmada de perceber a vida.
Quero ver “através”, quero desconstruir o óbvio,
Quero celebrar a vida.
E depois... depois quero sentir os eucaliptos.
“Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.”
- A.Cícero -
E, como o “para sempre” se assusta fácil, tenho fotografado para nada perder...