Em diferentes dimensões há um grito de protesto abafado dentro do peito de cada um de nós.Um desejo crônico de transformar o mundo num lugar mais justo, de entregar o melhor da gente ao que quer que seja, de manter preservados nossos direitos fundamentais.
E, de vez em quando, esse grito insiste em sair do peito.
Como hoje cedo, quando, ao acabar de ler o livro autobiográfico de Zarah Ghahramani (inacreditavelmente nascida em nosso tempo, em 1981, presa e brutalmente torturada por ter se envolvido, quase sem saber, no movimento político e estudantil do Irã), andei pensando na Zarah que há em todos nós, naquele pedaço da gente que acredita que pode mudar o mundo, na porção indignada com a política e com o poder, em nossa rebeldia saudável, na vontade de ser livre...
É... a despeito de tudo, consegui sorrir ao perceber que tal qual a menina do livro, ainda preservo aquela vontade de sair às ruas calçando sapatilhas cor-de-rosa e distribuindo bandeiras brancas.









