sábado, 17 de outubro de 2009

Derrete a neve que prende o seu pezinho...

Sim, a vida é bela, mas de vez em quando nos põe latejando suas dores.
Depois de algumas faltas e desenganos, corremos o risco de nos deixar congelar.
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Não inteiramente, é certo, mas onde doeram os amigos desleais, congela-se a possibilidade dos novos.
Se o que doeu foram sonhos desmoronados, reduzem-se as expectativas a quase nada.
Mas quando as dores vêm dos amores avessos, aí então, não dá mais para acreditar.
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E as almas, desnutridas, já nem lamentam.
No bolso, onde havia esperança, só restaram duas pedras, um endurecimento precoce, e muitas mágoas.
Mas seguem. Donos de uma euforia quase tola. E glaciais.
Duvidando agora, de quase tudo.

Por isso ontem, numa conversa com alguém muito especial, que anda um tanto descrente, não pude evitar A Formiguinha e a Neve, uma fábula da infância com uma grande lição :
- Por favor... derrete a neve que prende o seu pezinho...

Por que acho que no amor SEMPRE vale mais uma chance.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Entre lençóis...

Naquele momento, no mar de lençóis que se fazia posto, a única coisa que queria era a promessa de que seus olhos não fossem mentiras...

Naquela cama cabíamos inteiros.
Teu corpo pousava sem urgência por respostas.
Por que ali éramos abrigo, e eu só queria levar comigo aqueles bons silêncios.
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Nossas peles suscitavam desejo e aqueles tempos nos bastavam.
Alternávamos entre segredos e sossegos.
Beijos quentes enchiam o ar, e depois restava apenas, sempre, uma paz pungente.
Havíamos nós. Mais até do que fosse possível.

E, não...
Não ponha os pés no chão.
Assim que nossos pés tocarem o chão
nossos cérebros voltam a funcionar.
Corremos então, o risco de sermos engolidos
por toda a realidade nele implícita.
Não quero nossos pés no chão.
Hoje não.

domingo, 11 de outubro de 2009

Levados pelo ar...

A boa música cria sempre uma atmosfera intimista ao seu redor.
Não que já não tivéssemos certa intimidade, afinal, ele entrara em nossas vidas e já ganhara um bocado do nosso amor e respeito.
Mas aquela noite era especial.
E, da sala ocre reluziam apenas o suporte da partitura, um homem, e seu trompete.

Silêncio e uma primeira nota no ar.
Era um som preciso e limpo. E o ar tomado por um azul mágico.
O trompete fazia parte dele, era a extensão do sopro, a continuidade perfeita de sua boca, como o delicado bico de um beija-flor.
Podíamos ser levados pelo ar...
Havia súplica e ânsia em seu olhar. Era a busca pelo momento perfeito.

Ensinou nossos ouvidos surdos um pouco mais sobre um trompete.
Aprendeu sobre o diálogo que se faz possível através da música.
E não foi preciso uma palavra sequer.


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Obrigada Paulo Genz...
Sua música encheu minha casa de amor.

Vale uma visita no blog dele “
Jazz Noise” !

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A gente quer mesmo é a verdade.

Mais que um milagre o que a gente quer mesmo é a verdade.
Seja ela como for.
Mas que só venha se vier com todos os sentimentos nela implícitos.
Que traga o tremor de mãos dos amantes que se desejam, o medo de que não perpetue, a ansiedade que precede as escolhas, a coragem que garante o risco, e a doçura que nos põe tão frágeis.

Por que todos nós já estivemos diante de uma história improvável.
Por que às vezes a vida da gente parece mesmo cinema.
E, se eu pudesse escolher, queria logo um desses romances encantadores, surreais, e delicados.
Um Love Affair só para mim.

Afinal, às vezes, quando o tempo e a distância já deveriam ter consumido tudo, a gente descobre algo que ainda pulsa, e então, resolve que merece mais um café.
Mesmo que seja para daqui há um ano...


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Obs.1: O filme Love Affair (Segredos do Coração), de 1994, é um remake de An Affair To Remember (Tarde Demais Para Esquecer), de 1957, que já era uma refilmagem de Love Affair (Duas Vidas), de 1939.
Obs.2: Vale ouvir "Piano solo", de Ennio Morricone, música tema de Love Affair.



domingo, 4 de outubro de 2009

Desse querer...

É desse amor expandido e grandioso que falo hoje.
E dos corpos que comungam, esgotando esses amores, até a última gota.
Desse querer inteiro, que nos tira do meio de uma multidão para transformar-nos em únicos.
Do que nunca é pela metade.
Do que precisa do outro, e que é demasiadamente grande, e por isso nos põe vulneráveis.
Mas que é feito dessa vulnerabilidade boa, que de tão humana nos arrepia a pele.
E pode até durar apenas alguns instantes, mas é para sempre lembrado.
Porque amores ampliados no outro são, de alguma forma, para sempre.
E fazem a gente querer que não nos escape nada.
Por que de vez em quando a gente quer mesmo é amar de “A” a “Z”.
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Arrepiar
Beijar
Cadência
Desejos
Euforia
Fusão
Gemido
Homem
Incendiar
Juntar
Lamber
Mulher
Nudez
Olhar
Pele
Querer
Roçar
Sugar
Tocar
Unir
Vibrar
Xodó
Zelar

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Hoje tem uma ILHA aqui dentro...

Gosto de Oswaldo Montenegro desde meninota...
Logo de cara rabiscava a agenda com pedaços das suas canções.
Depois ele passou a expressar minha imensa vontade de andar na contramão e de ser diferente.
E aquele tanto de irreverência que ele trazia na voz, me fazia ter uma bandeira para carregar.
Então conheci seus Menestréis, e de tão multifacetados, cantaram e encantaram. Com luzes, fogo, música, teatro, palco, som, fumaça, corpos, sombra, flautas, e Madalena.
Se fossem nômades viajantes, numa velha carroça indo pelo mundo, e eu pudesse, na minha meninice teria partido com eles.
Daí a faculdade e as férias. E dancei Bandolins na praia.
O amor, o luar e o mar. Estava lá quando ele cantou Chico Buarque. E O que será... ficou a flor da pele.
Mais tarde, ainda encontrei pessoas incríveis que também gostavam dele.

Ainda hoje, nos dias em que meu coração pede um pouco de silêncio... e quando me faltam as palavras... são dele as que traduzem o que vai dentro de mim...

"Ilha não é só um pedaço de terra cercado d'água por tudo que é lado.
Ilha é qualquer coisa que se desprendeu de qualquer continente.
Por exemplo: um garoto tímido abandonado pelos amigos no recreio, é uma ilha.
Um velho que esperou a visita dos netos no Natal e não apareceu ninguém, é uma ilha.
Até um cara assoviando leve, bem humorado, numa rua cheia de trânsito e stress, é uma ilha.
Tudo na gente que não morreu, cercado por tudo o que mataram, é uma ilha.
Até a lágrima é ilha, deslizando no oceano da cara.
"

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Incompletude

Um barco a vela, a deriva, merece um porto.
Uma mulher enluarada, a mercê de um afago, merece colo.
Um homem só, sem direção, merece um encontro.
Uma mão em concha, em vigília, merece uma oração.
Folhas secas, que já não servem ao outono, merecem vento.
Lençóis de linho, quase ninho, merecem amantes.

Por que esse desamparo das coisas soltas, essa incompletude, essa urgência dos pares, estão todos em mim.
Como uma angústia leve e cíclica... que não me abatem, mas que me fazem querer ver esses amores todos conjugados.

Por que deveria ser proibida essa imensa falta que você me faz...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Acumulo...

É assim que te espero...
Nua.
E com meu ventre côncavo, enquanto prendo o ar,
num instante único, fugaz, entre um respirar e outro,
como se assim pudesse perpetuar o arrepio que me percorre,
e estender a duração daquele instante de amor.

É assim que te quero...
Ao revés.
Com essa alma que não amansa nunca,
de gestos rápidos e carinhos avessos.
Por que gosto da suas mãos ásperas, das palavras curtas,
e da intempestividade dos seus toques quando em mim.

É assim que te amo...
Entregue.
Com o coração dilatado, cabendo ainda um pouco mais.
Por que com você, aprendi a acumular amor.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Deserto

E madrugada adentro parece que as pessoas
não querem mesmo suas casas.
Querem qualquer coisa menos o deserto da solidão.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Vazio

Nossos beijos eram todos alicerçados numa história passageira.
De felicidades rápidas e euforias impermanentes.
E para que não me escapasse nada,
Nenhuma linha ou traço,
Nenhum nó ou viés,
Anotei cada gesto em bilhetes.

E simulei uma intimidade que nem existia.
Ninguém fingiu melhor que eu.
Enquanto você tentava me caber, eu tentava te amar.

E a gente, que até tinha uma história charmosa,
dessas feitas de acasos, encontros e paixões,
não sabia fazer durar mais do que um instante.
Porque é preciso muito esforço pra manter esse tipo de alegria.

É preciso saber dar um riso oco.
E acho que não sei sorrir assim.