Algumas mulheres têm a dor do mundo.Tem o gosto da ausência, da invisibilidade, da indiferença.
Tudo nelas dói.
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E há algo nelas que dói em mim também.
Um grito que reconheço, uma vulnerabilidade familiar.
Porque, com o corpo cansado e a pele exposta, estão abandonadas.
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Talvez bastasse um olhar mais demorado pousando sobre elas. Talvez um pequeno gesto...
E então, quem sabe, esse abismo que existe entre a tristeza e a alegria finalmente se estreitasse.
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Porque há nelas algo maior do que a dor: a vontade da vida.
E é por isso que tenho sempre a impressão de que derreteriam em lágrimas se fossem tocadas.
Que arriscariam tudo por um longo afago.
Até a alegria que não tem.


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