quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

quero o sapo !

Ando sufocada das coisas de ontem, tão repetidas.

Preciso urgentemente de algo novo, de outras coragens, outras paisagens.


Quero um amor construído na terra, com todos os ocres e os sulcos, bem dia a dia, bem de verdade.

Cansei de amores lunares, feito de promessas e etéreos em seus alicerces.

Quero prosa, café cheiroso, e verdades chocantes - não me importo desde que sejam palpáveis.

Cansei de versos, de almas gêmeas, cochichos e mentirinhas.


Quero um novo olhar, uma surpresa, um caminho desconhecido.

Não quero mais me esforçar para manter histórias bonitas, de desculpas inventadas e quase esquecimentos.

Quero o sal, cansei do doce.

Quero o sapo, cansei do príncipe !


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Porque são poucas as pessoas de olhos d’ouro...

porque a gente acredita no amor...
prá você Genz, e prá minha doce Lú...
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Há na gente uma legião de histórias, um amontoado de dores, e um tanto de sonhos.
Algumas santas, outras não sei. São tantas.
Mas só o que vale é esse amor rasgado, que venta, esquenta, desorganiza, e que, desobrigado de rótulos (e mesmo que avesso), é o que varre o inverno dos nossos olhos líquidos.

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Sei do revés dessa história e não vale mais esse nó na garganta.

Porque são muitas as nossas dúvidas,

Mas maiores ainda são as nossas certezas.


E se a vida me fez aprender o perdão, só posso desejar então,

que todo olhar, seja um beijo,

e que todo beijo, seja um casamento.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

meu pai...

papai - 1966.
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Ensinou-me a viver com um açucareiro nas mãos, a ter pequenas coragens guardadas no bolso da camisa (sempre perto do peito), a jogar fora os limites, a desaprender as hesitações, e a ter riso fácil.
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Gosto de olhá-lo de longe, assim, para que em minhas retinas esteja sempre, como um talismã.

Gosto ainda mais quando segura minhas mãos, e ele o faz sempre, mesmo sem precisar tocá-las.

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Segura um mundo inteiro nos ombros, eu sei, mas a despeito disso vai caminhando sereno, cheio de bondade e de sonhos.

Com meu pai, qualquer pequeno instante vale uma vida.

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Ah... como eu queria saber dizer o amor que sinto por ele,

mas as palavras são muito pequenas para isso.

Muito pequenas...

minha mãe...

mamãe - 1966
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Há sim muitas maneiras de se falar de amor.

Mas prefiro o amor que falamos sem precisar das palavras, o que fala com os olhos, com as reticências, com os afetos.

Gosto desse falar silencioso, da tranqüilidade que dispensa discursos, desse amor construído no tempo, de alicerces profundos e ternuras mágicas.

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A mim, falar de amor, sem falar, é assim como uma tarde quente vendo velhas fotografias impregnadas dessa imensidão.

É onde a felicidade se acha.

São os amores que me fazem acreditar em eternidade.

O combustível, a combustão.

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Amores assim são os que me servem.

Queria tanto que coubesse aqui o que senti hoje a tarde...

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A tentativa mais vã.

E nós, mais uma vez quebramos as regras.

O coração a bater na boca, desconhecendo qualquer prudência.

Fizemos amor depois de tudo terminado,

como se para recuperar o que já havíamos perdido.


Mas perdemos ainda mais : perdemo-nos um ao outro.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Jogar a toalha

Não.

Não estou sendo covarde.

Sinto mesmo que é hora de desistir, de tomar outra estrada, trilhar novos caminhos.

Seus olhos não são mais olhos, são um punhal, um segredo, uma falta.

E essa renúncia, mesmo sem parecer, tem exigido de mim muita bravura.


Desligamentos lentos e amores desbotados são vis. Prefiro as sentenças de palavras breves.

E algo novo. Só para variar.

Porque se hoje me acontece essa vontade de partir, é para poupar esse tanto de vida que tem se esvaído de nós.


E perder vida dói demais em mim,

mesmo quando parece ser só de raspão.


sábado, 13 de fevereiro de 2010

qualquer tempo

Com você sinto cada pequena coisa des-me-di-da-men-te.

Apenas um leve sopro,

e incendeio.

Um roçar de pernas,

e tudo em mim arrepia.

Um sorriso de canto,

e desarrumo tudo mais uma vez...


Só de pensar que você pode vir,
já me falta o ar...


É... qualquer tempo que pudéssemos parar, já valeria !

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

então tá !

Perguntei-lhe o nome, o que fazia e onde morava, na primeira vez que nos vimos.

Ele, de mim nada quis saber, nunca, além de meus olhos.


No princípio tateávamo-nos sem saber exatamente o que dizer.

Mas logo deixamos as palavras fluírem nos levando onde bem entendessem.

E foram caminhos secretos, de desejos e provocações.

E foram palavras indiscretas, carícias e confissões.


Ele gostava das palavras, mas queria (e sabia) jogar com elas.

Fiquei apreensiva, as palavras sempre souberam mais do que eu.

Então calei, e preferi também só os seus olhos.


Entreguei-me a ele mais uma vez.

Mas amanhã não quero mais.

Amanhã acabo com isso.

As sete.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

o quê a gente arrisca

Algumas mulheres têm a dor do mundo.

Tem o gosto da ausência, da invisibilidade, da indiferença.

Tudo nelas dói.

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E há algo nelas que dói em mim também.

Um grito que reconheço, uma vulnerabilidade familiar.

Porque, com o corpo cansado e a pele exposta, estão abandonadas.

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Talvez bastasse um olhar mais demorado pousando sobre elas. Talvez um pequeno gesto...

E então, quem sabe, esse abismo que existe entre a tristeza e a alegria finalmente se estreitasse.

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Porque há nelas algo maior do que a dor: a vontade da vida.

E é por isso que tenho sempre a impressão de que derreteriam em lágrimas se fossem tocadas.

Que arriscariam tudo por um longo afago.

Até a alegria que não tem.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

o tempo

Deitada ali ao teu lado, nua, achei que estava livre do jugo do tempo.
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Fui tola.

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O sexo dá mesmo essa impressão falsa de eternidade.