Gosto da meia luz. As sombras sempre me fascinaram.
Quando assim, confundo o meu com o teu, os amores com os desejos, a chama com os beijos.
Quero só o tanto de claridade que me permita ver o pôr do sol nas pedras mansas.
Porque quando é assim, a gente vira só um contorno, e tudo parece tão mais real.
Sem os detalhes é que vejo mais.
Só assim enxergo-lhe inteiro.
Só assim sinto. Até o talo.
Então não posso imaginar a felicidade sem estas sombras.
Hora consistentes, e noutras absolutamente voláteis.
À meia luz o começo e o fim se fundem, como numa vertigem azul.
E, embora nem sempre definidos, são absolutamente deslumbrantes.
Como o amor, que só se aprende no abandono dos limites.
Na fronteira do outro.




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