domingo, 3 de junho de 2012
do que eles não sabiam...
A menina já nem era tão menina, e devia saber dessas coisas, mas não.
Foi ele quem contou da flor
pequenininha que morava dentro da flor maior, que na verdade não era flor, era
folha.
Ela foi ao jardim, só para
conferir.
Enquanto ia, pensava no tanto
de coisas que não sabia.
E essa era a graça.
Por
que será que suas fraquezas eram o que ela tinha de mais forte ?
O menino, que também já nem
era tão menino, devia saber que o não
saber era uma chave.
Dessas que abrem as histórias
de desvelar.
Por que ele, que dizia que não sabia dar nós,
já estava dando.
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(BOUGAINVILLE - a flor dentro da "flor"
fotografia clicada debaixo da minha janela...)
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quarta-feira, 30 de maio de 2012
os homens querem 'pele'...
Quem és ?
Perguntei ao desejo, que respondeu :
Lava.
Depois pó. Depois nada.
Hilda Hilst
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É uma característica tão feminina enxergar por
trás das formas, que de vez em quando, perdidas nesse encantamento que
independe completamente da aparência, somos colocadas mais longe do que gostaríamos
dos homens que desejamos.
Eles querem a pele.
Nós também.
Mas para a mulher não há padrões, não há
regras.
O homem é desejado por um todo, e química pra
nós tem outra dimensão. São as reações de um, em relação às reações do
outro, e essa “eletricidade” passa, inevitavelmente, pela ternura.
Não é uma questão só de corpo, é também de cabeça.
A
pele é fugaz...
o desejo é volátil...
e mulher gosta mesmo é das eternidades.
o desejo é volátil...
e mulher gosta mesmo é das eternidades.
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terça-feira, 29 de maio de 2012
são números demais...
Mal nasci e já fui rotulada :
fêmea.
Cinquenta e tantos
centímetros, três quilos e alguma coisa.
Solange de tal, ariana com
ascendente em escorpião.
Depois fui recebendo outros
rótulos : filha, aluna, irmã, namorada, estagiária... Até que um dia a gente ganha
a chave de casa e passa a ter mais um monte de números que nos identificam : código
de endereçamento postal, contribuinte, telefone, título de eleitora... Mais tarde, surgem outros
critérios, mas que nos rotulam também : sócia, condutora, mãe, mulher,
ex-mulher, amante... E assim vamos sendo
segmentados matematicamente... vamos fazendo parte das estatísticas.
Mas o duro é ver que tem quem
pense que são através destes números que se contabilizam nossas perdas e nossos
ganhos... Nessas horas dá vontade é de
ser ninguém !
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sexta-feira, 25 de maio de 2012
quando comer é provocar...
No caminho do escritório passo por um
simpático bistrô onde se lê na fachada “cozinha afetiva”.
É uma das minhas paisagens preferidas. Não pelo
lugar propriamente dito, porque ainda nunca entrei. Mas pela palavra. Não
resisto a essas palavras soltas que nos levam com elas. Passo por ali fantasiando
sabores nascidos de uma decisão de amor, imagino-me degustando uma carícia, e
ela deslizando boca adentro. Dessas fomes que não se quer matar.
Na cozinha daquele bistrô deve acontecer a
realização culinária de um sonho, a fusão do fogo, da cuia, da concha, das
facas, da noz, o gengibre, a pimenta...
Tudo para se perder na geografia dos lábios, da
língua, para penetrar nas vísceras, e, finalmente na alma.
Lembro de Rubem Alves dizendo que matar a fome é fácil, qualquer angu com feijão faz isso, mas numa cozinha como essa, o objetivo não é matar a fome, é o contrário: pretende-se provocá-la.
Lembro de Rubem Alves dizendo que matar a fome é fácil, qualquer angu com feijão faz isso, mas numa cozinha como essa, o objetivo não é matar a fome, é o contrário: pretende-se provocá-la.
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(fotografia clicada hoje cedo - http://www.cafeambrosio.com.br/)
terça-feira, 22 de maio de 2012
do lucro...
Eu me despia interminavelmente, e falava
bobagens no seu ouvido. Prá mim não havia culpa no gozo.
Minhas pernas abriam, guardando as tuas entre
elas.
Você não. Você propunha sempre um discurso mais
acadêmico, um tesão mais nobre, comportado, alguma coisa entre lençóis de
linho e Veuve Clicquots.
E desse jeito a gente não se entendia.
Você queria que eu parasse de tentar essa mistura
“sexo e amor” (como se fosse fácil), e eu, eu só queria que você soubesse que
essa era a única fusão possível, era o combustível... e que é dela que nascem
as cortesãs diáfanas, prontas para ser dar ao ser amado, e que gozar pode ser o “lucro”
obtido por essa ousadia !
É... porque tem gente que acha que sexo com amor
é uma tremenda ousadia....
.sábado, 19 de maio de 2012
de quando tudo é só isso...
Com
ele não era tanto sobre amor, embora eu o amasse.
Com
ele sempre foi sobre a pele, sobre o toque, os beijos,
o desejo.
Com
ele foi pelas coincidências, pelos lugares, pela idade.
Ele
me pedia que eu imaginasse uma música e dançasse.
Eu
dançava.
E ele
olhava.
Com
ele os silêncios eram íntimos o suficiente
para mostrar-se como nudez.
Mas
acho que era só.
Era
um amor de “fora”.
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domingo, 13 de maio de 2012
porque ser MÃE pode ser tão amplo...
Mãe é tudo que acolhe, tudo que ampara, tudo
que “guarda”...
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Mãe é um olhar sobre nós, uma doçura à toa, um
afago.
Mãe é mulher, mas pode ser homem. É adulto, mas
pode ser criança.
Mãe é o que faz carinho, o que faz denguinho,
o que é “quentinho".
Mãe é tudo que cuida, tudo que ouve, tudo que
abraça.
Mãe é um instante, é o que descomplica,
é o momento que nunca passa....
..
segunda-feira, 7 de maio de 2012
o amor é tão óbvio...
Às vezes a menina
dava prá falar de amor.
Era o jeito que tinha
prá chegar à vida dele.
Engraçado. Nessas
horas ela era tão óbvia.
Quanto
mais falava, mais ficava indefesa.
Cada vez
mais à deriva.
Ia falando
do amor, e perdendo consistência...
Perdia
também a convicção.
A menina
perdia tudo.
Menos
a coragem.
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domingo, 6 de maio de 2012
do que eu acho que é ser lindo...
Dia
desses ao conversar com amigos, surgiu uma discussão a respeito de como pessoas inteligentes são sedutoras, e não estávamos falando da inteligência erudita, mas daquela que têm os que não
olham nada com desdém.
E a gente as quer por dentro.
E comentamos sobre às vezes em que a inteligência fala mais do que a pele.
Ou antes dela.
Falamos dessas pessoas que nos envolvem porque são donas de uma
honestidade atordoante, e de uma maneira tão leve e segura de falar da vida,
que é como se fossemos sendo abraçados por isso, como se fossemos sendo
engolidos pela cabeça, até que, de repente nosso corpo também quisesse servir
de banquete.
Gente que é uma mistura de trem bala, prontos para a partida, e de
um delicado construtor de catedrais góticas, prontos para a permanência.
Porque pessoas assim crescem diante dos nossos olhos, e
já nem nos importamos com esta ou aquela aparência, elas são lindas.
E a gente as quer por perto.E a gente as quer por dentro.
* (linda fotografia de Abby Ross, fotógrafo cuja beleza favorita não pode ser
encontrada nos editoriais de moda. Ele gosta mesmo, assim como eu, da beleza dos “defeitos”
e dos paradoxos...)
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terça-feira, 1 de maio de 2012
dói...
Como o leite que azeda esquecido fora da
geladeira. Como a saudade de alguém que já morreu. Como um silêncio que não se
entende. Como alguém que não sai de cima do muro. Como a noite em que se
descobre que Papai Noel não existe. Como uma bala que já saiu da arma. Como tatuagem
com o nome de uma velha história. Como uma inocência roubada na adolescência. Como
uma lágrima que não sai. Como perder um jogo na prorrogação. Como saber que
nunca mais vai se ouvir ao vivo Elis.
Como um nó machucando a garganta. Como uma escultura de gelo derretendo ao sol.
Dói.Amor que não acaba dói.
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