quarta-feira, 7 de agosto de 2013
ando muito sozinha...
quero o primeiro olhar da manhã, quero
uma música de presente, quero escolher frutas no supermercado, quero palavras
simples que me encorajem, quero cozinhar agnolottis com castanhas, quero
dividir a manta no sofá, quero levar o cachorro que nem tenho para passear,
quero mãos dadas, quero ver um filme que já vimos, quero nem ver o tal filme, quero
a doce certeza de que ao estender as mãos encontrarei as tuas, quero telefonemas
indisciplinados, de manhã, de tarde, no trânsito, a qualquer hora, quero flores
em dias comuns, quero dias comuns, quero estender a toalha da mesa enquanto
você põe os pratos, quero ler um conto, quero um vinho tinto, quero ouvir um pássaro,
quero contar da minha infância, quero ouvir sobre os teus pais, quero
entrelaçar os dedos, quero uma sorte bonita, quero uma sopa quente, quero jogar
conversa fora... é... ando muito sozinha.
terça-feira, 6 de agosto de 2013
qualquer rima pobre que seja rica...
Você tem falado muito baixo.
Quase não te escuto.
Ando cerrando os olhos,
atenta, como se assim pudesse ver palavras surgindo dentro da tua boca, e, quem
sabe, pudessem ser minhas antes mesmo de nascer.
Mas não as vejo.
Vejo só um linho fino, uma
névoa, um véu.
Um filtro delicado e bonito, mas
que turva o olhar, nos escondendo um do outro.
Já quase não te ouço.
E torço pra que fale qualquer
coisa pequena que seja grande, qualquer rima pobre que seja rica.
Qualquer fala sincera que
derreta esse muro que nasce do silêncio preguiçoso e cheio de dúvidas que se
instalou.
Desconfio que tuas poucas
palavras sejam um longo discurso.
Talvez então, dessa história
eu nunca saiba o final.
terça-feira, 30 de julho de 2013
mãos soberanas...
Qualquer música, qualquer som, qualquer ruído seriam intrusos.
O silêncio era o verbo.
Era nele que as coisas cabiam. Inteiras.
Aos olhos restava apenas o cerrar das pálpebras.
O momento era para imaginar. Sentir.
Nenhum outro recurso podia ser tão afrodisíaco.
De olhos fechados o amor tinha outra dimensão.
Enriquecia os sentidos.
Aumentava o coração.
Nessas horas as mãos são lentas, acolhem e ratificam.
São soberanas.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
confusão...
Ele disse que não sabia por que
eu gostava dele.
Eu também queria entender.
Depois de tantos anos descobri
que não conhecia os motivos.
Talvez fosse por causa da calma
bonita que ele traz na voz, talvez por suas falas, que comungam tanto com as
minhas, ou só por causa dos efeitos líricos que me acometem todas as vezes que o
vejo...
Não sei.
Quem sabe seja por causa do delicioso
olhar abandonado, ou por aquela fragilidade escondida que só eu vejo, ou pelos
medos que ele nem sabe, mas sente.
Estar com ele é sempre como
atravessar um espelho.
Então talvez eu goste dele por
alguma coisa muito mais simples.
Talvez porque meu acolhimento
deseje abraçar sua melancolia.
Talvez porque abraçando, me sinta
abraçada.
Não sei.
Não deve ser isso. Desconfio que também
não seja por sua inteligência, ou educação, tampouco por suas mãos que sempre
sabem desenhar flores sobre as minhas.
Só o que sei é que não escolhi
gostar dele.
Gostar dele é que me escolheu.
Eu não tenho filosofia: tenho
sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
mas porque a amo, e amo-a por isso,
porque quem ama nunca sabe o que ama,
nem por que ama, nem o que é amar...
Alberto Caeiro
sexta-feira, 12 de julho de 2013
duas seguidas...
Depois do sexo não há
nada a provar.
Nem caras, nem
bocas, nem frases de efeito. Tudo foi dito, tudo foi feito.
Eu já bebi sua
caipirinha, seu whisky, sua água sem gás.
Eu já bebi você.
Mas o que eu não te
contei é que depois da sede saciada, no cansaço da nossa nudez, sempre te
desejo mais uma vez.
O lençol desordenado,
e a fadiga dos corpos estendidos displicentes sobre a cama, me excitam.
Você já quase sem
forças, não pensa, mas fica ali... e tem um jeito tão sexy de dobrar as pernas
enquanto descansa...
Também não te contei
que você parece muito mais de verdade assim.
Mordo os lábios e
não desgrudo os olhos de você. Sorrio.
Você sorri de volta.
Sinto sede.
Mas já não quero te
beber.
Nessas horas você é
feito para as lambidas.
Contorno teu corpo com a boca, enquanto você se enrosca em minhas pernas.
Sinto fome.
Você também.
E a gente começa tudo outra vez....
segunda-feira, 8 de julho de 2013
você já me conhece...
Escrevo pela possibilidade de te tocar,
por imaginar que lê as minhas linhas e que, de uma plataforma qualquer, não tão
distante assim, tenta me decifrar.
E sou tão espiral. Crio esconderijos em
cada vírgula, em cada ponto. Torço então para que continue extraordinariamente obstinado em me entender. E para que
me perdoe.
Brinco com a possibilidade do amor
usando as metáforas mais tolas, só pra fingir uma grandeza que não tenho, só
pra disfarçar o medo que me sufoca.
Um medo que é ainda mais tolo que
minhas metáforas.
Escrevo pra dizer que o que falta em
mim, é você, e que o que falta em você sou eu. Mas, se arrisco um verso que não gosto,
hesito... e recolho a palavra. Apago tudo.
Você já me conhece.
Falo mesmo é com meus versos
mudos.
E, no meio desse silêncio todo,
você bem que podia vir me buscar...
quarta-feira, 3 de julho de 2013
virou passado...
Finalmente virou passado.
Agora sei que deixei partir a história
bonita que vivemos.
Era preciso, afinal, nunca entendi bem o seu coração.
Talvez tenha sido por causa de um
filme do Woody Allen, talvez porque eu tenha notado o quanto
essa historia era feita de gestos que estrangulavam o meu dia-a-dia, ou simplesmente porque minha vontade
de ser feliz tem ganho densidade e substância.
Deixar partir a nossa historia não foi perdê-la, foi só dimensioná-la devidamente. Foi. Pretérito. Perfeito.
Então, finalmente me despeço de você.
Agora o maior risco que corro é o de
ser feliz.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
preciso ser minha...
Às vezes passo dois ou três dias
escolhendo palavras que não sejam tão densas só para te dizer como ando por
dentro :
é que preciso ser minha, antes de ser tua...
Mesmo as palavras escolhidas, eu sei,
poderiam ser substituídas por outras melhores, então fico assim, sem nunca
saber se você me entende.
Mas, o que eu queria que você soubesse
é tão simples, é que ando cansada de me sentir
esmagada por esse ‘amor’, cansada de
aceitar o sofrimento como componente inevitável da paixão, cansada de
precisar buscar a neutralidade no distanciamento... porque de longe fica mais
fácil perceber que essa jaula é segura, mas nem por isso é um lugar feliz.
Gosto de quem sabe se expressar, de sentimentos descomplicados e expostos, e, assim como Cazuza “a vida
inteira eu quis um verso simples”.
Sei lá se
você me entende,
mas já nem
sei se me importo, afinal,
começo a desconfiar que nem preciso tanto
assim de você.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
exatamente como desejei e pedi...
Barcelona é o lugar
perfeito para começar tudo de novo.
Suas linhas
desafiam o tempo e convidam a um futuro infinito, assim como quero seguir.
Uma cidade generosa
em suas texturas e formas, e que sabe pedir para ser explorada...
Já não sei mais se
Gaudi é arquiteto, escultor, ou se faz poesia com cacos e cores. Há um apelo dramático em todo ângulo que vejo, um arco infinito estreitando todas as fronteiras, os olhos fundem-se, embaralham-se,
sorriem.
Barcelona é uma
declaração universal à beleza da vida.
Durante muito tempo
vivi a estranha fantasia de um dia caminhar por essas ruas com a alma leve e absolutamente
livre.
Estou aqui.
Exatamente
como desejei e pedi.
Y brindo por eso !
segunda-feira, 3 de junho de 2013
para sempre meu...
Nenhuma historia é
vã.
Sobretudo as
historias que nascem no incrível mundo das primeiras vezes. O primeiro amor, as
primeiras descobertas, a primeira entrega.
Mundo onde, mais
tarde se descobre, mora o ‘para sempre’.
Nunca se é o
mesmo depois.
E da minha
historia de primeira vez nunca parti.
Foram tempos de afetos
espontâneos, de intenções sinceras, e muito amor. Não sei se voltei
a sentir algo assim outra vez.
Mas o tempo passou, e o engraçado é que com ele, até mesmo essa percepção do
que já está extinto, é bonita.
Virei mulher
com ele.
E isso não se esquece.
Nessa história
serei sempre dele,
e ele será sempre meu.
É... para sempre meu.
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