terça-feira, 3 de setembro de 2013
os deuses não nos protegem...
Rubem
Alves diz que os deuses não nos protegem do medo. Eles nos convidam à coragem.
Gosto tanto desse olhar... e tenho tido dias bem assim, com muitas mudanças,
lugares e armadilhas emocionais sendo deixados para trás, coisas já sem sentido
ou significado também, gente que não nutria... tudo de uma vez, ao mesmo tempo,
como têm sido sempre.
E o medo está lá. Eu sei.
Mas nunca consegue ser maior que a mansidão que sinto nas pequenas (e
muitas) alegrias que me cercam.
Minha coragem nasce desse reconhecimento : alegrias são possíveis mesmo
na desordem, nos intervalos, nas dificuldades.
Aceito o convite dos deuses.
Aceito também essas mudanças todas. Acolho-as em mim.
Já faz tempo que aprendi a desobedecer o medo.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
algumas coisas demoram...
Abasteço-me de imaginação, visualizo, e desejo muito que aconteça.
Mas algumas coisas não são assim.
Algumas coisas demoram.
Têm seu tempo certo para acontecer.
Por mais que me esforce, que corra atrás, esse tempo não vem. E passo dias repetidos com esse ‘vazio’, querendo tanto ver o que desejo
existir.
Então, nesse intervalo, a gente descobre que cresce por dentro. Aprende
a aceitar.
E uma coisa é certa, a vida também acontece nessa demora.
E, às vezes, já nem sou mais a mesma pessoa, embora continue imaginando,
e desejando...
As coisas mudaram, e agora digo assim :
- Tá
tudo bem 'coisa demorada', eu já aprendi a esperar você acontecer.
domingo, 11 de agosto de 2013
dia dos pais... e de quem souber amar...
Hoje quero desejar um Feliz Dia dos Pais diferente... quero
desejá-lo para você que é pai, mas também para você que é mãe, irmã(o), tia(o),
amiga(o), dinda(o), avó(o)... afinal, pra mim, ser ‘pai’ é viver uma linda experiência de amor, é externizar e eternizar essa benevolência que habita a
essência de todos nós, o amor é um instinto primitivo, mas... há que se ter coragem porque amor é
entrega e doação.
Por isso acredito que qualquer um que deseje, pode lindamente fazer esse papel. Pouco importa o laço genético, o que vale é a experiência afetiva,
a entrega amorosa.
Um amor que é antes de tudo um amor à vida.
Um amor a quem já fomos um dia.
Um amor que desconhece o egoísmo, que é feito para o outro,
que é presente que se ganha dando.
Ter tido a oportunidade de viver essa experiência com minha
Bebela é um privilegio que agradeço todos os dias.
Quem me conhece bem sabe que não há uma noite sequer que eu
não a massageie lentamente antes que ela durma. Demoro em suas costas, nos
braços, pernas, em cada dedinho, no pescoço... é um carinho englobador, uma
fala que não precisa de palavras, uma declaração de bem querer, um pertencer, um dar que é o
mais belo receber que se pode experimentar...
Sou mãe.
Mas também sou pai.
Sou mãe.
Mas também sou pai.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
ando muito sozinha...
quero o primeiro olhar da manhã, quero
uma música de presente, quero escolher frutas no supermercado, quero palavras
simples que me encorajem, quero cozinhar agnolottis com castanhas, quero
dividir a manta no sofá, quero levar o cachorro que nem tenho para passear,
quero mãos dadas, quero ver um filme que já vimos, quero nem ver o tal filme, quero
a doce certeza de que ao estender as mãos encontrarei as tuas, quero telefonemas
indisciplinados, de manhã, de tarde, no trânsito, a qualquer hora, quero flores
em dias comuns, quero dias comuns, quero estender a toalha da mesa enquanto
você põe os pratos, quero ler um conto, quero um vinho tinto, quero ouvir um pássaro,
quero contar da minha infância, quero ouvir sobre os teus pais, quero
entrelaçar os dedos, quero uma sorte bonita, quero uma sopa quente, quero jogar
conversa fora... é... ando muito sozinha.
terça-feira, 6 de agosto de 2013
qualquer rima pobre que seja rica...
Você tem falado muito baixo.
Quase não te escuto.
Ando cerrando os olhos,
atenta, como se assim pudesse ver palavras surgindo dentro da tua boca, e, quem
sabe, pudessem ser minhas antes mesmo de nascer.
Mas não as vejo.
Vejo só um linho fino, uma
névoa, um véu.
Um filtro delicado e bonito, mas
que turva o olhar, nos escondendo um do outro.
Já quase não te ouço.
E torço pra que fale qualquer
coisa pequena que seja grande, qualquer rima pobre que seja rica.
Qualquer fala sincera que
derreta esse muro que nasce do silêncio preguiçoso e cheio de dúvidas que se
instalou.
Desconfio que tuas poucas
palavras sejam um longo discurso.
Talvez então, dessa história
eu nunca saiba o final.
terça-feira, 30 de julho de 2013
mãos soberanas...
Qualquer música, qualquer som, qualquer ruído seriam intrusos.
O silêncio era o verbo.
Era nele que as coisas cabiam. Inteiras.
Aos olhos restava apenas o cerrar das pálpebras.
O momento era para imaginar. Sentir.
Nenhum outro recurso podia ser tão afrodisíaco.
De olhos fechados o amor tinha outra dimensão.
Enriquecia os sentidos.
Aumentava o coração.
Nessas horas as mãos são lentas, acolhem e ratificam.
São soberanas.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
confusão...
Ele disse que não sabia por que
eu gostava dele.
Eu também queria entender.
Depois de tantos anos descobri
que não conhecia os motivos.
Talvez fosse por causa da calma
bonita que ele traz na voz, talvez por suas falas, que comungam tanto com as
minhas, ou só por causa dos efeitos líricos que me acometem todas as vezes que o
vejo...
Não sei.
Quem sabe seja por causa do delicioso
olhar abandonado, ou por aquela fragilidade escondida que só eu vejo, ou pelos
medos que ele nem sabe, mas sente.
Estar com ele é sempre como
atravessar um espelho.
Então talvez eu goste dele por
alguma coisa muito mais simples.
Talvez porque meu acolhimento
deseje abraçar sua melancolia.
Talvez porque abraçando, me sinta
abraçada.
Não sei.
Não deve ser isso. Desconfio que também
não seja por sua inteligência, ou educação, tampouco por suas mãos que sempre
sabem desenhar flores sobre as minhas.
Só o que sei é que não escolhi
gostar dele.
Gostar dele é que me escolheu.
Eu não tenho filosofia: tenho
sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
mas porque a amo, e amo-a por isso,
porque quem ama nunca sabe o que ama,
nem por que ama, nem o que é amar...
Alberto Caeiro
sexta-feira, 12 de julho de 2013
duas seguidas...
Depois do sexo não há
nada a provar.
Nem caras, nem
bocas, nem frases de efeito. Tudo foi dito, tudo foi feito.
Eu já bebi sua
caipirinha, seu whisky, sua água sem gás.
Eu já bebi você.
Mas o que eu não te
contei é que depois da sede saciada, no cansaço da nossa nudez, sempre te
desejo mais uma vez.
O lençol desordenado,
e a fadiga dos corpos estendidos displicentes sobre a cama, me excitam.
Você já quase sem
forças, não pensa, mas fica ali... e tem um jeito tão sexy de dobrar as pernas
enquanto descansa...
Também não te contei
que você parece muito mais de verdade assim.
Mordo os lábios e
não desgrudo os olhos de você. Sorrio.
Você sorri de volta.
Sinto sede.
Mas já não quero te
beber.
Nessas horas você é
feito para as lambidas.
Contorno teu corpo com a boca, enquanto você se enrosca em minhas pernas.
Sinto fome.
Você também.
E a gente começa tudo outra vez....
segunda-feira, 8 de julho de 2013
você já me conhece...
Escrevo pela possibilidade de te tocar,
por imaginar que lê as minhas linhas e que, de uma plataforma qualquer, não tão
distante assim, tenta me decifrar.
E sou tão espiral. Crio esconderijos em
cada vírgula, em cada ponto. Torço então para que continue extraordinariamente obstinado em me entender. E para que
me perdoe.
Brinco com a possibilidade do amor
usando as metáforas mais tolas, só pra fingir uma grandeza que não tenho, só
pra disfarçar o medo que me sufoca.
Um medo que é ainda mais tolo que
minhas metáforas.
Escrevo pra dizer que o que falta em
mim, é você, e que o que falta em você sou eu. Mas, se arrisco um verso que não gosto,
hesito... e recolho a palavra. Apago tudo.
Você já me conhece.
Falo mesmo é com meus versos
mudos.
E, no meio desse silêncio todo,
você bem que podia vir me buscar...
quarta-feira, 3 de julho de 2013
virou passado...
Finalmente virou passado.
Agora sei que deixei partir a história
bonita que vivemos.
Era preciso, afinal, nunca entendi bem o seu coração.
Talvez tenha sido por causa de um
filme do Woody Allen, talvez porque eu tenha notado o quanto
essa historia era feita de gestos que estrangulavam o meu dia-a-dia, ou simplesmente porque minha vontade
de ser feliz tem ganho densidade e substância.
Deixar partir a nossa historia não foi perdê-la, foi só dimensioná-la devidamente. Foi. Pretérito. Perfeito.
Então, finalmente me despeço de você.
Agora o maior risco que corro é o de
ser feliz.
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