segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
fato novo...
Ando faltando pra mim. É fato.
Como se morasse num jardim
vazio que encerra um conteúdo claro : não estou.
Mas você nem liga.
E é esse teu jeito de fingir
que não percebe a porta fechada, que tem me feito prestar atenção em você.
Esse teu jeito de rir de mim,
ou comigo, sei lá.
Desmorona minhas crenças com esse
teu olhar estupidamente doce. Fala tantos sins que enfraquece
meus nãos.
Até minhas desculpas têm derretido
antes mesmo de serem ditas.
É que a tua presença tem me
feito sentir tão à beira do amor que nem sei...
Ou, pelo menos, ainda nem sei.
Por enquanto, eu falto.
Você, fato.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
já fui santa...
Ando cansada demais para
longas explicações, e já nem me importo
se em mim o desejo anda quase sempre maior que a razão.
Já fui branca, já fui santa, já
fui tantra.
Agora só o que sinto é fome
de ti.
Porque de vez em quando é bom
esse desejo primitivo que afasta de lado toda água, e todo açúcar.
Minhas mãos fortes na tua
nuca, palavras noturnas ditas às claras, a respiração atropelando o beijo. Sexo
sendo a melhor poesia.
A pele arranhada pela pressa
de quem quer a eternidade dentro de um segundo.
Sem preparo algum a natureza
da experiência é outra.
Sou gruta e sou mirantes.
Sou por dentro e sou paisagem.
O milagre será encontrar em
mim um lugar esquivo.
Esqueça o que já fui.
É que agora sou tantas...
domingo, 1 de dezembro de 2013
minha Bebela...
Bebela é sargitariana, falante, persuasiva, amorosa e absolutamente entregue.
Sorridente, mas de temperamento firme. Sabe exatamente o que quer.
Decidida, nunca gostou de chupeta, não foi de chororô e nem de nhe-nhe-nhém. Logo cedo trocou o balé por capoeira, bonecas por quebra-cabeças, e preferiu os meninos às meninas.
Bebela dos colares coloridos, dos acessórios e dos balangandãs.
Gasta horas no chuveiro, ama lápis de cor e instrumentos musicais, antes de andar já dançava. Antes de falar, cantava. Ultimamente passa horas no piano, enchendo o ar de um som mágico, celestial e acústico.
Bagunceira disfarçada, não consegue assobiar, embora tente infinitas vezes. Detesta errar, e prefere qualquer coisa a peixe e berinjela.
Bebela ri enquanto dorme.
Impossível passar diante de alguém sem se sentir tocada. Gosta de gente. Gosta de gostar.
Filha única, também sabe brincar sozinha, e parece que nessas horas festeja a liberdade da sua imaginação.
Bebela faz 9 anos, e segue sendo o que quer ser, com delicadeza, porque é só assim que sabe fazer.
Não são poucas às vezes em que, de noite, cobre meu cansaço com seus infinitos beijos.
Uma filha que, ao tentar ensinar, aprendo.
Confesso que já sinto saudades dessa criança linda que beijo agora.
E desejo que ela more em você, filha, por todo o sempre. Porque isso sim é benção bonita.
Feliz Aniversário, amor !
Mamãe
Sorridente, mas de temperamento firme. Sabe exatamente o que quer.
Decidida, nunca gostou de chupeta, não foi de chororô e nem de nhe-nhe-nhém. Logo cedo trocou o balé por capoeira, bonecas por quebra-cabeças, e preferiu os meninos às meninas.
Bebela dos colares coloridos, dos acessórios e dos balangandãs.
Gasta horas no chuveiro, ama lápis de cor e instrumentos musicais, antes de andar já dançava. Antes de falar, cantava. Ultimamente passa horas no piano, enchendo o ar de um som mágico, celestial e acústico.
Bagunceira disfarçada, não consegue assobiar, embora tente infinitas vezes. Detesta errar, e prefere qualquer coisa a peixe e berinjela.
Bebela ri enquanto dorme.
Impossível passar diante de alguém sem se sentir tocada. Gosta de gente. Gosta de gostar.
Filha única, também sabe brincar sozinha, e parece que nessas horas festeja a liberdade da sua imaginação.
Bebela faz 9 anos, e segue sendo o que quer ser, com delicadeza, porque é só assim que sabe fazer.
Não são poucas às vezes em que, de noite, cobre meu cansaço com seus infinitos beijos.
Uma filha que, ao tentar ensinar, aprendo.
Confesso que já sinto saudades dessa criança linda que beijo agora.
E desejo que ela more em você, filha, por todo o sempre. Porque isso sim é benção bonita.
Feliz Aniversário, amor !
Mamãe
Solange Maia
sábado, 23 de novembro de 2013
a despeito das questões sociais...
Guimarães Rosa diz que quando nada acontece há
um milagre que não estamos vendo, mas não nessa imagem, nela o milagre se
esparrama ensolarado pelo sorriso dos meninos.
Eles têm seu universo particular.
Divertem-se num tempo intangível e perdido.
Há mais ternura nesse metro e meio do que em edifícios
inteiros.
Vendo uma cena destas percebo mais claramente o
mundo adulto de onde nunca mais voltei.
Ando cansada demais para ser revolucionária,
mas a previsão para amanhã é de sol, e acho
que ainda podemos reconhecer pequenos milagres, então, que tal se deixássemos de esmagar
tanto os horizontes da nossa alma ?!
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
dessa cidade chamada São Paulo...
Olho ao redor como se
buscasse o que já sei de cor... é tanto tudo, que é quase nada.
A solidão se impõe e esfola a
pele da gente.
Tudo leva a todo lugar, tudo
encanta, tudo espanta.
Cidade dos achados, e dos
perdidos.
Inquieta, com sua metade de
céu caída, onde muito, é muito pouco.
Onde tanta gente, é gente
alguma.
São Paulo tem força
masculina, eu sei, mas é mulher, e com sua capacidade de desafiar
permanentemente a imaginação, é infinita em suas possibilidades.
E seduz...
Seduz com sua vastidão que
nos engole.
E acolhe...
Acolhe em seus cantos a
despeito de seus abandonos.
Mas cansa.
Esgota.
Esvazia.
Esfria...
Olho ao redor mais uma vez, e,
cansada desse trânsito intenso, aumento o som para afastar os pensamentos... mas
Paula Toller devolve-os a mim, cantando bem assim :
“...que lugar me pertence,
que eu possa abandonar...
Esse mar me seduz,
mas é só pra me afogar...”
sábado, 19 de outubro de 2013
fui ali...
não é a primeira vez.
talvez não seja a última.
é que de vez em quando preciso descansar por dentro, e reorganizar as coisas.
talvez não seja a última.
é que de vez em quando preciso descansar por dentro, e reorganizar as coisas.
se quiser falar comigo :
eucaliptosnajanela@ig.com.br
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
liberdade de araque...
Eu também queria morar nessa colina, mas não, não moro.
Não sei ser desses amores de meia hora, dessa descartabilidade emocional,
desse consumismo afetivo. Não sei gostar do prazer passageiro, apressado, e da total
falta de sensibilidade dessa gente que usa como bandeira para sua inconsistência
os resíduos de outras relações.
Quero sair de casa ‘desarmada’ sem parecer amadora.
O mundo desaba cada vez mais por falta de afeto.
E mesmo que eu corra riscos, mesmo que me torne vulnerável, e que caminhe
de vez em quando por vales e abismos emocionais, mesmo assim ainda torço por um
amor que queira durar.
É que hoje cedo olhei pra mim mesma, pra essa solidãozinha moderna, pra
essa ‘liberdade’ de araque, e fiquei muito, muito cansada.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
o segredo do vagalume...
para Monnica Moraes...
A menina corria ofegante pelas ruas de areia. Vagalumes eram entidades
mágicas que ela queria ver, eram luzinhas de Natal fora de hora, estrelas ao
alcance das mãos... criaturinhas que vinham prontas e lindas. Talvez por isso
corresse atrás deles.
Talvez não.
A menina era fascinada por mistérios, e havia
ali qualquer coisa querendo ser atravessada, havia mais do que se podia ver. Ela punha então, curiosa, o bichinho dentro de um enorme pote de vidro e ficava observando-o.
Horas. Nem via o inseto, de alguma forma sabia que ele era mais do que a aparência
que carregava.
Gostava de seus aspectos mais sutis, de suas pequenas exuberâncias. Olhava,
olhava, olhava...
Sentia, muito mais do que sabia.
Devia
ser alguma equação mínima, um segredo, um susto, um hiato... sei lá, nunca
soube, mas sempre acreditou que descobriria no próximo verão.
O tempo passou.
Um verão. Outro. E muitos outros.
A menina cresceu.
Mas ontem, só ontem, como são todas as coisas que não se explicam, a
menina deitada em sua cama viu um vagalume entrar, e não foi preciso mais do que um instante para que ela soubesse.
Soube depois de quarenta verões.
O vagalume carrega nele uma escuridão que ninguém vê.
domingo, 15 de setembro de 2013
feliz de quem sabe imaginar...
Olho para a cortina nova e sua
transparência.
Deitada no sofá, tão à toa que
o vento desloca facilmente meus pensamentos. Eles dançam, embaralham-se, adquirem
sentidos renovados, e nem vejo mais a cortina. Vejo só um véu, cobrindo sem
querer cobrir.
Meus olhos atravessam o tecido
fino assim como se fossem línguas que desejam não ver. E não ver, nesse instante,
é a forma mais generosa de brincar de imaginar...
A tarde terminando quente e
perfumada, o desejo nascido do acaso, uma disposição lânguida e preguiçosa... e
meus dedos (seriam os teus ?) agora só sabem percorrer os meus caminhos, todos,
demoradamente... são horas boas, de vontades amplas e generosas.
Lembro-me, então, da cortina
nova e de sua transparência.
Tanta coisa depois dela.
Tanta antes.
Levanto.
Deixo um sorriso de canto de
boca pendurado no ar.
Adoro essas horas ébrias em que a consciência é a ultima a chegar.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
os deuses não nos protegem...
Rubem
Alves diz que os deuses não nos protegem do medo. Eles nos convidam à coragem.
Gosto tanto desse olhar... e tenho tido dias bem assim, com muitas mudanças,
lugares e armadilhas emocionais sendo deixados para trás, coisas já sem sentido
ou significado também, gente que não nutria... tudo de uma vez, ao mesmo tempo,
como têm sido sempre.
E o medo está lá. Eu sei.
Mas nunca consegue ser maior que a mansidão que sinto nas pequenas (e
muitas) alegrias que me cercam.
Minha coragem nasce desse reconhecimento : alegrias são possíveis mesmo
na desordem, nos intervalos, nas dificuldades.
Aceito o convite dos deuses.
Aceito também essas mudanças todas. Acolho-as em mim.
Já faz tempo que aprendi a desobedecer o medo.
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