De vez em quando uma neblina fosca cerra meu encanto pelos homens.Triste perceber o que o poder (?) tem feito a alguns deles.
Esta semana acompanhei um cliente ao escritório de um advogado.
Conforme costumo descrever, subimos num elevador prateado para encontrá-lo, sentamos numa mesa de reunião com mais 20 lugares, e tomamos um café acre servido por um garçom de luvas.
É claro que em seguida surgiu, com toda arrogância do mundo em seus olhos, o poderoso da vez.
Não devia ter mais de 30 anos, e crescia a cada demonstração de fragilidade do meu cliente.
Usou todos os jargões, brocardos e aforismos recém decorados.
Perguntou e respondeu. Riu alto. Inquisidor.
Mas não sorriu. Não sabe sorrir.
Nem cruzou o olhar com ninguém.
Pobre homem de alma seca. Tão menino.
E já de uma força tão frágil.
De uma riqueza tão vã.










