Sua mão descobriu a dela e logo foi lhe puxando para um passeio.
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Ouviram uma dessas músicas de ser feliz, e o céu daquela tarde pareceu ainda mais imenso.
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E a alegria, que ela tinha no céu da boca, escondida nesses tempos de recolhimento, saltou num riso leve, divertido, desses sem compromisso algum, e lhes deu abrigo.
Acho que amo com certa falta de jeito. Talvez por que eu tente compreender o amor, a despeito de saber (intuitivamente) que ele está além do entendimento. . Às vezes acordo menina, e tenho a impressão de que enfim o sei, de que o amor é isso, ou aquilo. Mas esses são sempre dias de vento, quando tudo sai do lugar, quando minhas crenças perdem-se logo depois de terem sido encontradas, e restam a mim somente um embaraço e um riso tímido. . É... quanto mais me encho de certezas, mais frágeis tornam-se minhas convicções. O amor é, definitivamente, insubordinado. E eu, eu sou teimosa.
- Porque hoje eu tenho muito medo de viver essa história - ele disse baixinho, com receio das próprias palavras.
Mas ao olhá-la ali, sentada a sua frente, sabia que o medo não era esse, o medo era o de não viver aquela história... a história da sua vida.
Ele sabia.
Porque sonhava com ela passeando no seu futuro, cuidando dos seus dias, impedindo-o de partir dele mesmo.
Nela tudo eram respostas.
Ele sabia.
E sofria por estar dentro de outra história.
Talvez por isso fosse tão difícil entender por que sua vontade tinha sido sempre o sorriso dela, por que seu mundo girava, girava, girava, e sempre acabava nela.
Porque tinha a deixado partir ?
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Mas do outro lado da mesa ela flutua, tentando equilibrar os pensamentos, sem medo algum. O tempo não existe.
Ela tinha certeza da imensidão daquele amor.
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Then the rainstorm came over me
And I felt my spirit break
I had lost all of my belief, you see
And realize my mistake
But time through a prayer to me
And all around me became still
I need love, love's divine
Please forgive me now I see that I've been blind
Give me love, love is what I need to help me know my name
Through the rainstorm came, century
And I felt my spirit fly
I had found all of my reality
I realize what it takes
'Cause I need love, love’s divine
Please forgive me now I see that I’ve been blind
Give me love, love is what I need to help me know my name
Oh I, don't bet [don’t bet], don’t break [don’t break]
Show me how to live a promise me you won’t forsake
A menina sentada sozinha, no banco daquela ruela torta, transborda numa tristeza delicada, feminina, solitária. Ela não entende porque os adultos desaprendem o amor, porque permanecem em histórias que não acreditam mais, e inventam distâncias que não existem, nem porque têm medo de revelar o querer, de repetir o revelado, de guardar o repetido.
Há também o sentimento de que suas alegrias andam muito pensadas, e talvez por isso pareçam sempre tão menores. Ela sente um frio, mas continua ali, sem querer se levantar, sem ânimo para ver do que a vida é mesmo feita. Porque têm coisas que parece que só ela acredita...
Porque o amor deveria ser urgente, as pessoas deveriam ignorar os medos intangíveis, e saber viver os instantes.
Porque será que o mundo parou ? Era dia de semana, tarde de sol, plena de gente, de trânsito, de sons. Mas, de repente, mais ninguém. Só nós dois. Fecharam o mundo, desligaram o tempo. Falei e ouvi tanta coisa, já nem lembro, mas o que me tocou foram os silêncios sagrados, a comunhão dos desejos, a palavra escapada sem censura, e logo recolhida de novo prá dentro da boca, e a boca enchendo-se desse medo de revelar, e ficando linda assim, cheia desse amor que nem precisa ser dito.
E achei aquela alegria tão plena de adjetivos lindos, que esqueci da fragilidade do mundo. Nem bem pensei e ele voltou a rodar. Ligaram o tempo. Mas, como a vida tem certas delicadezas, fui embora com a certeza de que finalmente encontrei o caminho de casa.
(vistas assim, as flores também são caminhos de casa... registrei !)
Nos idos dos anos 70 morei numa cidadezinha rural, de ruas tortas, de terra batida e casinhas de madeira com seus enormes quintais. Eu tinha pouco mais de cinco anos, e é uma das minhas lembranças mais antigas.
Lembro do piano da escola, dos enormes besouros, do poço no fundo de casa, da Igrejinha, do capeletti in brodo, do frio pungente e dos eucaliptos gigantes.
Com eles papai fazia celulose. E eu fazia poesia. Sem nem saber.
É que ficava flutuando o olhar sobre aquelas toras de madeira castanha por horas sem fim. Desta maneira tocava com os olhos o que para mim era a felicidade : um tanto de verde, de vento, e o perfume que dava significado ao ar.
Hoje, a despeito de ser (estar) urbana e cosmopolita, vejo eucaliptos daqui da janela de casa, de onde escrevo. E, de alguma forma, estão sempre em meus caminhos. Cuido para que não sejam só memórias... Ontem, quando comecei a escrever o blog, eram uma pergunta. Hoje são só deslumbramento...
das coisas que adoro...
Adoro gente sincera e inteligente, letras de música, libélulas e joaninhas. Amo minha filha, meus pais, família. Adoro a noite, o céu e o vento, filhotes de bicho, escrever, ler, falar de amor, gérberas, beijo na boca, inverno, edredon, risadas fora de hora, chá de erva doce, damasco, luzinhas de Natal o ano inteiro, manteiga sem sal, lilás, fadas, cheiro de chuva, meu quarto, dormir, bilhetinhos, Natal e aniversário. Adoro Chico, Clarice, Carpinejar, telefonemas inesperados, ser mulher, e mais um tanto de coisas... não necessariamente nessa mesma ordem...
Não tolero a falsidade velada que há por aí, e prefiro loucura à insipidez comportamental. Sou intuitiva e generosa, e só sei beijar com o corpo todo...
Mas em mim, o que gosto mesmo é que sei amar só por amar, desinteressadamente.
Tudo aqui é verdade. Pelo menos é a minha verdade.
É minha maneira ritmada de perceber a vida.
Quero ver “através”, quero desconstruir o óbvio,
Quero celebrar a vida.
E depois... depois quero sentir os eucaliptos.?xml:namespace>
"Caminho meio gente, meio fada. Pé no além, outro na estrada."
Tenho um coração que aperta, e a única maneira de fazê-lo sossegar é permitir que as palavras lhe escorram... deixando-o assim, um pouco mais afrouxado...
Se quiser conhecer outro lado do Eucaliptos Na Janela, clique em cima da fotografia, e entre no Blog que fiz para minha pequena (numa despretensiosa tentativa de eternizar os doces momentos que vivemos juntas). É Bebela em Conta-Gotas...
E,como o “para sempre” se assusta fácil, tenho fotografado para nada perder...
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