quarta-feira, 26 de junho de 2013

preciso ser minha...

Às vezes passo dois ou três dias escolhendo palavras que não sejam tão densas só para te dizer como ando por dentro : 
é que preciso ser minha, antes de ser tua...
Mesmo as palavras escolhidas, eu sei, poderiam ser substituídas por outras melhores, então fico assim, sem nunca saber se você me entende.

Mas, o que eu queria que você soubesse é tão simples, é que ando cansada de me sentir esmagada por esse ‘amor’, cansada de aceitar o sofrimento como componente inevitável da paixão, cansada de precisar buscar a neutralidade no distanciamento... porque de longe fica mais fácil perceber que essa jaula é segura, mas nem por isso é um lugar feliz.

Gosto de quem sabe se expressar, de sentimentos descomplicados e expostos, e, assim como Cazuza “a vida inteira eu quis um verso simples”.
Sei lá se você me entende, 
mas já nem sei se me importo, afinal, 
começo a desconfiar que nem preciso tanto assim de você.


segunda-feira, 17 de junho de 2013

exatamente como desejei e pedi...

Barcelona é o lugar perfeito para começar tudo de novo.
Suas linhas desafiam o tempo e convidam a um futuro infinito, assim como quero seguir.
Uma cidade generosa em suas texturas e formas, e que sabe pedir para ser explorada...

Já não sei mais se Gaudi é arquiteto, escultor, ou se faz poesia com cacos e cores. Há um apelo dramático em todo ângulo que vejo, um arco infinito estreitando todas as fronteiras, os olhos fundem-se, embaralham-se, sorriem.
Barcelona é uma declaração universal à beleza da vida.

Durante muito tempo vivi a estranha fantasia de um dia caminhar por essas ruas com a alma leve e absolutamente livre.
Estou aqui.
Exatamente como desejei e pedi.
Y brindo por eso ! 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

para sempre meu...

Nenhuma historia é vã.
Sobretudo as historias que nascem no incrível mundo das primeiras vezes. O primeiro amor, as primeiras descobertas, a primeira entrega.
Mundo onde, mais tarde se descobre, mora o ‘para sempre’.
Nunca se é o mesmo depois.

E da minha historia de primeira vez nunca parti.
Foram tempos de afetos espontâneos, de intenções sinceras, e muito amor. Não sei se voltei a sentir algo assim outra vez.
Mas o tempo passou, e o engraçado é que com ele, até mesmo essa percepção do que já está extinto, é bonita.
Virei mulher com ele.
E isso não se esquece.

Nessa história serei sempre dele, 
e ele será sempre meu.
É... para sempre meu.


terça-feira, 28 de maio de 2013

por que ele dorme na rua ?

De vez em quando ele cuida do jardim do meu escritório.
Tira os matos, varre a calçada, rega as plantas. Ganha um dinheirinho e some.
Sei que às vezes ele bebe demais, e dorme na rua.
Sei também que tem uma namorada, e que seu nome é José.
Tão pouco.
Não sei o que se passa na vida dele, mas hoje, demorando um segundo a mais em seus olhos, era como se eu soubesse.
E senti uma urgência tão grande de sentar ao seu lado e conversar. Falaríamos sobre a vida, sobre os medos que nos habitam, sobre o cansaço, as plantas, os sonhos.
Contaria de onde vim, e ia querer saber de onde ele veio.
Também isso. 
Mas não só.
Pensando bem, talvez eu não fizesse nada disso.
Talvez um abraço apertado falasse mais.


domingo, 26 de maio de 2013

paz

Não me apaixonei pela faculdade que fiz, não casei na igreja, não faço parte de nenhum grupo engajado em salvar o planeta, não sei falar mandarim, não virei gente famosa, não sei esquiar, não sou P.H.D. em nada... mas sinto uma paz danada quando olho pra mim e percebo que muitas dores não estão mais lá.
Já saí do olho do furacão.
Já sim, várias vezes.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

a casa dele...

Ele abre a porta e, de repente, está tudo ali : o tempo, as mágoas, e os sonhos. Tudo impecavelmente organizado, como se assim ele pudesse entender melhor as coisas.
As paredes cinzas, como o sofá, e como o céu de sexta-feira.
Ele nem via, mas o piso de cimento, que devia ser frio, sorria, envolvendo delicadamente as pastilhas brancas.
O afeto endurecido derretia nas fotografias.
Sobre a mesinha da sala mais um lapso de alegria : um livro adulto estava coberto por outro, infantil.
Ninguém percebia, mas a música escapava pelas frestas do armário, ouvindo dizer que eram milagres, noites com sol... e um vento indigente soprava a toalha solitária estendida no varal, lembrando que tudo é vida. Tudo, tudo.

Devia ser segredo, eu sei, mas tudo estava lá. 
Vi alegria escondida por todo lado.

E eu ?
Eu era a desordem resignada, a única almofada fora do lugar. Um enfeite vermelho, um coração exposto.
Sem saber, ele me atropelava, 
colocava vírgulas em mim.
Mas tudo é vida.
Tudo, tudo.


domingo, 12 de maio de 2013

para aprender a ficar...

Sinto como se estivesse mudando de bairro, de cidade, de país, de planeta. Mais uma vez.
Mesmo não estando.
E é só com essa impermanência que sei lidar.
Descobri isso outro dia, mas tem sido sempre assim, e agora sonho em sair detrás dessa trincheira.
Tenho feito um esforço danado para confiar, mesmo dentro do medo.
É que minha vida me ensinou a ser trem, sempre chegando, sempre partindo... sem nunca ficar.
Não sei durar. Mesmo querendo tanto.
Torço então, pelo dia em que vou, finalmente, achar meu tempo definitivo.
Meu para sempre.


quarta-feira, 8 de maio de 2013

q.u.a.n.d.o...

quando teu corpo me abandona, se afastando só um pouquinho, pra poder focar no meu rosto que te deseja, quando volta pra mim, e chega bem perto, sorrindo de forma abundante e provocativa, me fazendo sentir tua respiração tão rente à minha pele que é quase dentro, quando a gente se junta, mas nossa nudez se esparrama, quando você me ganha, e se distancia mais uma vez, brincando de ciranda com o meu desejo, quando tua barba mal feita arranha meu rosto que cora e você beija o meu sussurro e os meus lábios inchados de ti, quando você recolhe o gesto e desperdiça meu corpo que fica ali, se dando inteirinho à você, quando, no minuto seguinte, me pede pra pedir que volte pra dentro de mim, de nós, da cama, do tempo...
quando...
quando percebo que tudo isso se deu numa minúscula fração de tempo onde não podia caber mais nada.
só mesmo o amor...



sábado, 4 de maio de 2013

despido, e despreparado !

Ela não foi ao encontro dele. Devia ter ido.
Queria ter ido.
Talvez por isso ele tenha dito que havia engolido as palavras que queriam saltar, e que não sabia se voltaria a falar.
Fluiu com suas teorias de que o ‘não dito’ havia se perdido para sempre, e de que para falar de novo seria preciso preparar o espírito.
Falando assim, tão convicto sobre o ‘não falar’, ele nem via que empurrava a menina para longe. É que ela andava cansada daquele carinho que ficava sempre ali, sem nunca ser usado, e queria muito que ele experimentasse estar distraído, que baixasse a guarda, que se entregasse aos momentos e às sensações, que não pensasse tanto... e que, de preferência, se permitisse estar absolutamente despreparado.

No fundo, no fundo, só o que ela queria era que ele percebesse que o ‘preparo’ veste o afeto...
e que para ‘falar’, é fundamental que se esteja despido.



domingo, 28 de abril de 2013

eu podia ser mais magra...

Eu podia ser mais magra, ter uma boca maior, e muito menos rugas. Mas tenho cuidado mais da minha musculatura emocional do que da outra.
E ando bem cansada dessa gente que se gaba só disso.
Gosto quando vejo em alguém que uma camada se levanta. Depois outra. E mais uma. Cada qual mais bonita, mais misteriosa.
Gosto do corpo possível, da fragrância que vem da alma, do prazer das simplicidades.
Bonito é ser a gente.
É a comunhão do visível e do invisível.
Bonito é isso,
e a liberdade de viver assim é boa demais para se renunciar.