segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
de algumas fragilidades...
A
menina era forte, sabida e muito corajosa.
Mas
acordou um dia sentindo medo da solidão.
Não
era medo de escuro ou de fantasmas, embora às vezes os confundisse.
O
medo que sentia era abstrato, muito mais uma sensação.
Sabia
que a solidão era uma coisa diferente de estar sozinha.
Ela
não estava.
Mas
sentia um buraquinho, um vazio, um vento gelado por dentro. E
quase ninguém via... é que muita gente não percebe pedidos de socorro.
Rezava
para que não acontecesse, mas ele vinha.
Era
um velho conhecido, antigo mesmo, desses que sentam sempre na mesma velha
poltrona.
E o
medo sussurrava uma voz de mulher: estou indo embora, e não vou voltar.
Então,
só o que restava era a solidão. Bem grandona.
A
menina ficava triste porque sabia que tudo isso só acontecia dentro dela.
Não
contava para ninguém, mas sabia mais 2 coisas: que o medo era sua alma pedindo
algo, e que tudo isso ia passar.
Só
não sabia ainda o que era...
Nem
quando.
Solange
Maia
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
carta para Bia...
Chegou, mana.
Amanhã você vai dar um passo tão importante que jamais se esquecerá. Vai enfrentar, como já tem feito, uma “dor” que não devia existir, um problema que não foi merecido, que não é justo, mas que está lá. Está lá porque a vida é assim, porque às vezes nos põe à prova, nos leva ao limite, nos apresenta de novo para nós mesmos.
E a gente descobre coragens e forças que nem sabíamos possuir. E se respeita ainda mais.
E nasce de novo. Mais forte e, paradoxalmente, mais suave.
Não tente encontrar explicação. Não há.
O que vai encontrar é outro tipo de riqueza: são estes anjos que a tem acompanhado, esses encontros mágicos, esta lista de milagres que construiu e que tem compartilhado com quem ama.
E mais, o principal, terá muito, muito, muito respeito pela vida.
Amanhã, se tiver um tempo, deitada no hospital, pense em Chiang Mai.
Chiang Mai naquelas noites em que milhares de pessoas levam suas lanternas iluminadas para a beira d’água. São noites de muito amor e alegria. Pense na sensação de estar vendo a sua lanterna subindo, se juntando às lanternas das outras pessoas, até que sumam no céu. É um momento mágico em que você percebe que sua lanterna é única e importante, mas que faz parte de um todo, e que juntos iluminam todo o céu, tornando o lugar ainda mais bonito... ou seja, é a sua luz individual fazendo parte do coletivo universal...
Amanhã estaremos assim, Bia, cada um dos seus amigos e dos seus amores com sua lanterna, nos lugares mais diferentes, te enviando a melhor de nossas energias, e faremos tanta luz, tanta, que no instante em que estiver sendo operada haverá um céu iluminado e lotado de amor.
Em Chiang Mai comemora-se a vida, o amor e a gratidão.
No Sírio Libanês também.
Prometo um dia te levar lá...
Te amo. Vai com Deus e volta logo.
Amanhã você vai dar um passo tão importante que jamais se esquecerá. Vai enfrentar, como já tem feito, uma “dor” que não devia existir, um problema que não foi merecido, que não é justo, mas que está lá. Está lá porque a vida é assim, porque às vezes nos põe à prova, nos leva ao limite, nos apresenta de novo para nós mesmos.
E a gente descobre coragens e forças que nem sabíamos possuir. E se respeita ainda mais.
E nasce de novo. Mais forte e, paradoxalmente, mais suave.
Não tente encontrar explicação. Não há.
O que vai encontrar é outro tipo de riqueza: são estes anjos que a tem acompanhado, esses encontros mágicos, esta lista de milagres que construiu e que tem compartilhado com quem ama.
E mais, o principal, terá muito, muito, muito respeito pela vida.
Amanhã, se tiver um tempo, deitada no hospital, pense em Chiang Mai.
Chiang Mai naquelas noites em que milhares de pessoas levam suas lanternas iluminadas para a beira d’água. São noites de muito amor e alegria. Pense na sensação de estar vendo a sua lanterna subindo, se juntando às lanternas das outras pessoas, até que sumam no céu. É um momento mágico em que você percebe que sua lanterna é única e importante, mas que faz parte de um todo, e que juntos iluminam todo o céu, tornando o lugar ainda mais bonito... ou seja, é a sua luz individual fazendo parte do coletivo universal...
Amanhã estaremos assim, Bia, cada um dos seus amigos e dos seus amores com sua lanterna, nos lugares mais diferentes, te enviando a melhor de nossas energias, e faremos tanta luz, tanta, que no instante em que estiver sendo operada haverá um céu iluminado e lotado de amor.
Em Chiang Mai comemora-se a vida, o amor e a gratidão.
No Sírio Libanês também.
Prometo um dia te levar lá...
Te amo. Vai com Deus e volta logo.
Estou te esperando.
Soli
Soli
quinta-feira, 19 de janeiro de 2017
fome é outra coisa...
Quando ele cozinhava, era imagem icônica,
quase esfinge.
Algumas vezes era ele mesmo, em outras não
era ninguém.
Seu compromisso nunca havia sido com a nutrição,
era o desejo que o seduzia.
Nada acrescentava sem antes envolver no
côncavo de suas mãos. Precisava sentir a textura, a forma, a temperatura.
Era um alquimista sensorial. Fazia de seu
ofício um despertar de sensações.
Depurava, reduzia, misturava. Ultrapassava o
paladar.
Sua pretensão era provocar espasmos, encantamentos,
fragmentar a respiração, parar o tempo.
Sabia que o segredo era avivar os sentidos. Devolver
prazeres tão esquecidos.
Aplacar a fome era consequência.
Todas elas.
Pertencia às pessoas e precisava quase nada
além disso.
Era bruxo, holístico, e cozinhar era sempre
encurtar o caminho até o outro.
Longe de ser cartesiano, fazia do seu ofício sempre
uma presença inefável.
Aprendera faz tempo que vontade de comer se
mata fácil, com a boca.
Mas não satisfaz.
Não a ele.
O negócio dele era satisfazer a fome.
E fome, fome é algo bem maior...
Solange Maia
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
palavras doces não ditas...
Palavras de ordem me causam desinteresse.
Pessoas que
acham que pequenas feridas não doem, também.
Porque as vezes
fica tudo entalado na garganta, num nó que não nos deixa nem falar.
Há uma crença de que teremos sempre tempo para dizer as
palavras doces não ditas.
Até que a gente
descobre que não tem.
E só então percebe
que somos todos passageiros.
Solange Maia
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
Maria da rua...
Segurava
nas dele com firmeza, criando um elo, um vínculo, sem qualquer hesitação.
E
permanecia nele até que o tempo sumisse.
A dor
não. A dor, ela sabia, ainda estava lá.
O lugar era pequeno, muito pequeno, no rodapé sálvia, alfazema, alecrim e manjericão. Folhas quentes
perfumando o ambiente.
Eram para proteção.
Algumas
velas, ventania só lá fora.
Ali dentro
tudo era densidade e calor.
Maria
ecumênica, que veste branco e tem sempre os pés descalços. Maria
generosa, que faz canjica e que abre as portas de sua casa.
Maria
que é mãe, que é abrigo, que é densa.
Maria
que é doce, que é abraço e que é coragem.
Maria
das dores e das solidões.
Maria
da rua.
Maria
que eu nunca vi, mas sei que é boa.
Maria de fé, do cais e do caos.
Quietude. Até que, de repente, um arfar rompe o silêncio seguido por um choro doído.
Era Maria,
ampla, levando embora aquela dor.
Era sempre
assim. E dava sempre certo.
Ela fazia alguma coisa com as
mãos.
Ave, Maria. Salve tua graça.
E rogai
por nós.
Solange Maia
08/12/2015
08/12/2015
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
então o amor esfria?
Hoje, lá perto de casa, um casal chamou minha atenção. Ele
caminhava muitos passos na frente dela. Havia um vale imenso entre os dois,
qualquer um podia ver. Essa indiferença me entristeceu. Onde foi que isto
aconteceu? Ela tão bonita e ele tão interessante. Em que parte da relação eles
pararam de se desejar? Porque ainda iam juntos ao mercado? E juntos na vida?
Lá dentro, nos cruzamos mais uma vez, ele perguntando se
deviam levar pêssegos ou ameixas, ela erguendo os ombros sem mover os olhos,
como quem diz, sem precisar de palavras, que pouco importava.
Já não havia paladar, nem vontade de experimentar, não diferenciavam
mais os sabores. Um pêssego ou uma ameixa, tanto fazia, já não lembravam mais
do gosto de um, ou do outro, não havia mais mimos ou dengos, não se descascava
a fruta, enfeitava o prato ou aquecia o leite.
Tudo morno.
Mas em algum tempo haviam sido apaixonados, sentiram
ternuras e arrepios, escreveram bilhetes, acariciaram-se, dormiram de
conchinha, contemplaram paisagens no bom silêncio, riram deles mesmos,
encontraram alegrias nas coisas singelas, esperaram o outro para jantar,
tomaram vinho, fizeram planos, passaram perfume, levaram toalha seca na saída
do banho, separaram o travesseiro mais macio para uma noite de sono especial,
levaram café na cama e escreveram recadinhos no espelho do banheiro.
Beijaram-se demoradamente, posso apostar.
Então como viraram aquilo que eu estava vendo?
Não havia mais nem admiração, nem amizade. O sentimento
havia mudado, era evidente. Acreditavam não ter mais idade para febres ou
paixões. Talvez tenham crescido em direções diferentes, talvez tenham
negligenciado a relação, se acomodado na certeza de que as coisas eram assim
para todo mundo e que, o que valeria a partir de agora, era saber que tinham
alguém. E pronto.
Como assim?
A vida pode ser tão melhor...
E o amor precisa (e merece) ser cuidado, estimulado, desejado.
É atemporal. É delicioso.
E dá trabalho! Dá muito trabalho.
Porque morre no descuido, na preguiça, na maldita certeza do
amanhã e, sobretudo, na indiferença branda que muita gente gosta de confundir
com ‘efeitos do tempo’.
Não acredito nisso.
Dê àquele casal novos parceiros... e duvido que ele andasse
tão à frente dela, ou que ela nem respondesse mais às perguntas dele.
O amor é uma das melhores coisas do mundo, mas não aceita
indiferença.
Nela, morre.
Morre.
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
experimentando o vazio...
(fotografia clicada por mim - Deserto de Mojave - 15.out.2015)
Outubro. Ninguém num raio de 40 ou 50km. Nada, nem água, nem gente, nem casa, nem posto de gasolina. O GPS era uma tela em branco. Ninguém mapeou aquele lugar, o sinal desaparece. Desaparece a vida. Nenhum bicho, nenhuma ave, nenhum réptil, nenhuma planta.
Nenhum verde.
Aos poucos desaparece o tempo, a saudade, a memória. Desaparece o passado.
Nenhuma nuvem, nenhum som.
A impressão que tive é que de repente parei de respirar.
O sol irradiava um clarão ofuscante e dramático, mas parecia noite. De uma escuridão exagerada, interna, eu sabia. De uma rudeza áspera.
De uma beleza absurdamente solitária.
Olhar esse nada, estranhamente, me devolvia a mim.
Eu já havia sido cada uma daquelas pedras, cada centímetro daquele vazio.
Senti necessidade de fechar os olhos para existir.
E ali fiquei, experimentando aquela ‘não existência’ até que encontrasse o final dos meus medos.
Mas estava quente demais, e os quase 50°C me devolveram rapidamente à realidade.
Abri os olhos e o sol incandescente impunha seu calor, simplesmente. Cada coisa existindo, exatamente como devia ser.
O bicho pequeno, rasteiro, para diante de mim e riu.
O nada é habitado, eu já sabia.
Devagar, e aos poucos, fui voltando a respirar.
E lá estava o deserto e suas encostas coloridas, cheio de dunas onduladas e de um horizonte que não acaba.
Cheio de um vazio tão necessário.
Bonito é quando a gente percebe que somos todos feitos desses pedaços desabitados, embora, assim como no deserto, o vento, os cactos, o escorpião, a serpente, o falcão e o lagarto, estejam sempre ali.
Sempre ali.
Solange Maia
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
Livro a VENDA !!!
Queridos amigos leitores,
O livro ficou pronto!
E está lindo...
Uma experiência deliciosa nascida dos muitos encontros fantásticos que tivemos. Pessoas que nunca havíamos visto antes, mas que, aqui e ali, nessa imensa cidade em que moramos, chamaram nossa atenção e viraram nossos 'personagens'. São rostos cheios de histórias para contar!
Falamos sobre coragens, saudades, vazios, amores, e todos aqueles sentimentos dos quais não podemos nos esquivar...
Escrever com o Helder fez a coisa ser ainda mais gostosa!
Tem contos meus, dele, e nossos... todos feitos para vocês!
O livro está muito bacana, tem capa dura, 25x23, uma composição entre imagens e textos de tirar o fôlego... Não deixe de ter o seu!
beijos carinhosos...
O livro ficou pronto!
E está lindo...
Uma experiência deliciosa nascida dos muitos encontros fantásticos que tivemos. Pessoas que nunca havíamos visto antes, mas que, aqui e ali, nessa imensa cidade em que moramos, chamaram nossa atenção e viraram nossos 'personagens'. São rostos cheios de histórias para contar!
Falamos sobre coragens, saudades, vazios, amores, e todos aqueles sentimentos dos quais não podemos nos esquivar...
Escrever com o Helder fez a coisa ser ainda mais gostosa!
Tem contos meus, dele, e nossos... todos feitos para vocês!
O livro está muito bacana, tem capa dura, 25x23, uma composição entre imagens e textos de tirar o fôlego... Não deixe de ter o seu!
beijos carinhosos...
ESTÁ A VENDA AQUI !
R$ 60,00
PRESENTEIE QUEM VOCÊ AMA COM SENSIBILIDADE
E COM DELICADEZA!
Podemos enviar com dedicatória especial...
A entrega pode ser feita pelos Correios em qualquer lugar do Brasil ou do Exterior.
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
finalmente, o lançamento...
Será uma imensa honra ter vocês, meus amigos e leitores, presentes neste próximo dia 27 de novembro, domingo, lá na Livraria da Vila do Shopping JK Iguatemi (São Paulo).
Quero abraçar cada um de vocês!
O livro nasce maravilhoso...
beijos,
Solange Maia
Quero abraçar cada um de vocês!
O livro nasce maravilhoso...
beijos,
Solange Maia
sábado, 29 de outubro de 2016
essa mulher não quis mais...
Sim, ela está acima do peso; O cabelo precisando de um corte, e a roupa meio fora de 'moda'.
Mas você já parou para conversar com ela? Sabe do que o abraço dela é capaz? Ela já te contou as coisas que viveu? Já sentiu o calor de sua mão, ou foi olhado demoradamente por ela?
Se não, você não sabe nada.
Não sabe o que pode estar perdendo.
Para ela, o único padrão aceito é aquele que a deixa feliz. Investe seu tempo em ser um ser humano melhor. Sabe tocar um coração e faz com os quilinhos extra o que bem entende!
Ela escolheu ser linda, exatamente como é.
Essa mulher representa milhares de nós. Afinal, atravessamos gerações de silêncios e de opressão, e ainda somos reféns de padrões e de modelos.
Até que algumas se cansam. Negam-se a continuar.
Como ela.
Ela não está mais disposta a isso.
Esta mulher não quis mais.
Ela gosta do seu corpo, das suas cicatrizes, das marcas de expressão, da vida impressa em seu rosto, dos eventuais cabelos brancos, e dessa liberdade conquistada a duras penas.
Essa mulher pode, e vai, ser sempre o que ela quiser!
Solange Maia
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