
Quando vejo que o ano está acabando começo a olhar para minhas mãos.
Olho-as como quem procura pelas histórias que ficaram escondidas entre os vincos e a pele.
Vejo que, aqui e ali, a vida que se incorporou a mim deixou suas marcas.
E faço um balanço.
Gosto de prestar contas a mim mesma.
Olho para minhas mãos mais uma vez, agora contra o céu.
É sempre assim.
Quando vejo minhas mãos de novo preciso do céu como moldura.
Como se assim eu tivesse certeza de dias melhores.
E torço então, para que minhas alegrias nunca se acanhem.
Obrigada Senhor... porque ainda sei acreditar.
E não dispenso nada.
Nenhum dos 365 dias que estão por vir.
Vou vivê-los até o talo.
Até a raiz.