terça-feira, 28 de outubro de 2014

duas letras...

Sim, um novo fim de ano se aproxima, e, depois da primeira sessão de retomada na terapia, é inevitável que se faça um balanço.
Quanta coisa mudou ! 
Em ‘largura’, eu diria, não em ‘comprimento’.
Me dou conta agora que as mudanças ocorrem antes de ocorrer. Parece estranho, mas é assim mesmo que funciona, eu dei o primeiro passo sem saber que estava dando. De repente senti uma vontade indomável sei lá do que, respirei fundo e inventei uma coragem onde antes existia uma certeza. É que cansei de adiar a vida só porque isso era o que parecia mais vantajoso, ou confortável a fazer, cansei de inebriar-me com a exuberância só das idéias, de acreditar que minhas palavras bastavam, que o tempo seria o melhor oráculo.
Precisava viver. Infinita, imediata e irretratavelmente.
Era urgente.
E eu disse SIM.
Aquele ‘sim’ que transforma tudo.

Agora sei que a única estrada que merece adesão é a do amor.
2014 foi sim o meu Turning Point, mas, diferente do que escrevi, não eram essas duas palavras que traziam escondidas uma oração. Eram duas letras.
Duas letras.

Agora sei também que escrevo só por vocação, mas não é o que faço melhor.
Escrever tem limites estreitos.
O que faço melhor é viver.
E, desde então, a vida (mais uma vez diferente do que escrevi) tem me tirado do prumo, e mesmo assim, tem sido absolutamente maravilhosa pra mim.

                                                                           Solange Maia

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

o amor é normal...

Ele olhava pra ela com ternura. Ela sorria com o braço estendido sobre as costas dele e deixava escapar pelos olhos uma alegria simples, dessas de quem entende que o amor não devia mesmo ser nada demais. Aceita e acolhe como a coisa mais natural do mundo. Não tem medo. A mãe dela afasta o corpo só um pouco, o suficiente para poder olhar a cena. Eles cabiam inteiros, assim entrelaçados, na vida dela. Volta o corpo para perto dos dois. Agora eram os três numa preguiça generosa, dessas que só acontecem nas manhãs de domingo, dessas onde cabe tanta coisa, onde há tanto a ser dito, e mesmo assim a atmosfera é tomada por um silêncio amplo e confortável que muito se parece com um abraço. E, com uma naturalidade que é delas, iam fiando o afeto e reduzindo a fio tantos emaranhados que para elas estavam longe de parecerem grandes. Elas gostavam do amor. E gostavam dele. Descomplicadamente.

Ele, entre uma risada e uma história, engoliu as letras ásperas de resistência. Percebeu que já não cabiam. Na sua boca, até mesmo aquele punhado de regras a respeito do que devia ser feito, e do que não, ficaram mudas. Tudo se dissolvendo diante da simplicidade do gesto.  

Na boca dele só um sorriso de quem começava a desconfiar que o amor era mesmo a razão para que tudo aquilo que antes disso parecia absurdo, parecesse agora a coisa mais normal que existe.

Solange Maia

terça-feira, 21 de outubro de 2014

todas as águas...

Foi o primeiro sinal de água. Um mergulho dentro daquelas retinas líquidas. Olhos mansos, profundos, que, a despeito de conter um oceano inteiro por dentro, deixavam escapar uma sede, um paradoxo, uma vontade incontestável de transbordar.

E, água que são, transbordaram. Dentro da minha boca. 
Vertendo palavras marinhas na língua e na saliva. Água brotando em variações térmicas que iam do corpo quente ao vento gelado soprado pra dentro de nós. Tudo suave e voluptuoso. Fomos, ao mesmo tempo, tritões e languidez... 
Água molhando cada curva, cada vale, cada fenda. Cada gesto sustentado por um desejo nascido primeiro no imaginário das delicadezas e das preciosidades, mas que, ao primeiro toque, foi sentido como pedra sólida, palpável e tátil. Tudo virando sensações.
Nossos corpos sendo o próprio líquido.

E temos mergulhado desde então, sentindo o fluxo desse mar invisível que nos tornamos, nos liquefazendo no quarto, na sala, no banheiro... desfrutando a intensidade dos sentidos com nossas mãos de água, e com essa imensidão que tem deslizado pra dentro de nós.

Sensações hídricas e esse orvalho que nasce na pele, que lubrifica o desejo, molha a cama, inunda a boca e ebuli virando névoa que num ciclo tântrico vira água mais uma vez.
Temos sido essa represa inteira.
Sempre prontos pra jorrar. 


Solange Maia

domingo, 12 de outubro de 2014

in-fi-ni-ta-men-te maior...

O amor não força nada, ao contrário, ele abre caminho.
William P. Young
 
Há anos tenho falado sobre a vida e sobre o amor. 
Já escrevi antes sobre 'primeiras vezes', e sobre algumas pessoas especiais. Rotulei como 'grandiosas' muitas dessas experiências, porque sim, foram mesmo grandes momentos. 
Mas a vida, surpreendente que é, veio e me trouxe o novo, 
o in-fi-ni-ta-men-te maior, o inacreditavelmente mais bonito. 
E agora, que tudo foi redimensionado, só o que me vem à cabeça são as palavras de Clóvis de Barros Filho, numa entrevista que deu e que nunca mais me esqueci. Tenho-a gravada em meu celular, e ouço vezes sem fim, no trânsito, em casa, no escritório. Ele diz que devemos saber que estamos diante de um mundo extraordinariamente competente para nos entristecer, mas que, aqui e ali, esse mundo também é capaz de nos proporcionar grandes alegrias, grandes surpresas, e momentos que a gente nunca mais gostaria que acabassem. E são esses momentos que a gente ‘persegue’, que farão da vida, sempre alguma coisa digníssima de ser buscada, e fantástica de ser vivida.
Cheguei a duvidar dessa ‘grande alegria’, e dessa ‘grande surpresa’, mas agora, diante delas, e vivendo um desses momentos que eu gostaria que nunca acabasse, rendo-me.
Rendo-me completamente.
Rendo-me porque, de repente, sem planejamento algum, deixei você pegar na minha mão, e soube, naquele exato segundo, que você era a mão que eu havia esperado por tanto tempo.
Você foi a 'grande surpresa'.
E temos sido, desde então, essa 'grande alegria'.

E já não há mais verso. Nem prosa tampouco.
Não escolho mais as palavras.
Elas saem displicentes, indiferentes a mim. Já sabem o que querem contar.
Agora não escrevo mais para enfeitar a página.
Escrevo para enfeitar o nosso amor.
Para guardá-lo, para lermos juntos daqui a cem anos.
Escrevo porque preciso falar com você. Porque sinto saudade mesmo quando ainda está aqui, porque nosso querer não tem cabido só nos dias, só no tempo, só no agora.
Escrevo pra te fazer carinho, pra te alcançar nesse espaço mínimo antes de você chegar.
                                                                                            
E já não há mais verso. Nem prosa tampouco.
Já não escrevo palavras que alimentam o desejo, para que dele se alimentem depois. Nem faço poesias narrando incompletudes amorosas, em que amantes ora estão, oras não estão. Já não quero contar histórias de amores que se distanciaram, e que não se correspondem mais.
Já não vivo tentando lembrar qual era o gosto que faltava, o que não havia, ou onde doía.
Com você eu tenho tudo.
E, acredite, nem sabia que isso era possível.

Agora escrevo porque descobri que quero passar o resto da minha vida com você. E, porque desejo que o resto da minha vida comece o mais rápido possível.

Solange Maia

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

era só uma janela...

Você abriu a janela e um vento bom entrou no quarto. 
Nossa pele, sensível e exposta, arrepiou no mesmo instante. Cruzamos o olhar num misto de alegria e espanto, como temos feito tantas vezes, porque não é só o vento... Nada tem fugido da nossa retina. Nada. Nem dos nossos sentidos.
Era só uma janela, mas é que quase nunca a víamos no meio da tarde. Uma luz pálida, suave, uma leveza que se insinuava por trás da cortina. Tão pouco, mas o suficiente para tornar a atmosfera ainda mais etérea.
Era só uma janela, mas o ambiente inteiro virou abrigo.

Um golpe de vento mais forte levanta completamente um dos lados da cortina. Um instante. Foi o quanto durou. Mas um dos instantes mais lindos que já vi. A nudez toda ali.  A claridade no lado esquerdo do teu corpo desenhou com luz o contorno por onde minhas mãos passeiam tanto. 
Não menos lindo foi ver a sombra nascida nesse parenteses virando um espasmo, uma abstração, um refúgio voluptuoso onde nossos corpos levitam.

Era só uma janela. No meio de uma tarde. Aberta. 
E um capricho de Zéfiro tornou-a protagonista desse nosso amor tão sem métrica, tão irrestrito, tão capaz de transformar instantes em eternidades.

Era só uma janela.
Ou mais uma bobagem poética nascida só para nos mimar. 

Solange Maia

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

hipérboles de volúpia e ternura...

E se, de repente, cada alegria nova desfaz um nó ?
E se a gente nem acreditava mais que esses nós podiam ser desfeitos ?
E se, de repente, nossas convicções começam parecer endurecidas demais ?
E se a gente sentir uma vontade imensa de rever as ideias, de olhar por outro ângulo, de nos dar uma chance, de ignorar os julgamentos e de ser feliz, estupidamente feliz ? 
E se, de repente, nos dermos conta que bem no meio da nossa vida tranquila e sossegada, surgiu aquele alguém que muda tudo que a gente já foi ? 
E se essa pessoa vira imediatamente uma música em loop infinito na cabeça da gente ? E se a gente não quiser nem um pouquinho dar stop nessa música ? 
E se, de repente, todas as coisas prontas que a gente sabia descobrem-se na verdade apenas começadas ?
E se o que antes era muito vira agora muito pouco ?
E se, de repente, um único beijo dura duas horas, e a gente nem se lembrava que isso existia ?
E se já não sabemos onde fica a fronteira que divide a paixão e o amor, porque tudo anda deliciosamente misturado ?
E se, de repente, um olhar entra dentro da gente e nos faz sentir absurdamente amados, desejados e cuidados ?
E se a gente nem quiser mais se proteger ?
E se, de repente, a gente descobre que existe sim alguém capaz de perceber que mora um poema inteiro dentro da nossa boca ?
E se agora a gente sabe que saudade é uma coisa muito, muito sem graça ?
E se, de repente, a cama branca já não combina mais com esse sexo tão gostoso, onde o coração pulsa em sintonia com o tesão, e a gente desenha hipérboles de ternura nas costas voluptuosas do outro ? 
E se a gente começa a querer enfeitar a vida do lado de fora, só pra combinar mais com o lado de dentro ?

Solange Maia 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

agora eu já sei...

Eu sinto. Você também sente.
E o mais bonito é que a gente sustenta naturalmente essa atmosfera que é tão doce, que tem tanto carinho, e que ao mesmo tempo é quente e tão permeada de desejo.
Queremos, mas não precisamos estar ali o tempo todo. 
A presença do outro é inteiramente sentida.
Nem das palavras precisamos mais, embora a gente goste. É que o nosso silêncio tem sido tão abrangente, tão tranquilo e tão íntimo, que está tudo lá... longe, muito longe de ser um silêncio vazio. É um instante todo feito de paz.
E, no fim, essa cumplicidade revela muito do que a gente é. Muito do que a gente quer.

Eu tenho a minha história. Você também tem.
E agora vamos desenhando, tão delicadamente, essa outra, cheia de imensidões, de sentimentos que a gente nem sabia, capazes de derreter fronteiras, de enfrentar o tempo e de esperar.
Juntos, temos aprendido a conhecer o outro, mas, sobretudo, a nós mesmos. Temos aprendido a carregar menos peso no peito, a simplificar, e, principalmente, temos construído um lugar onde nosso coração gosta de estar.
                                                                                    
Eu sinto. Você também sente.
Apaixonamo-nos vezes sem fim, e é engraçado, por que amamos depois. E antes. E durante.
Não existem as horas, nem a urgência. Só uma nova e deliciosa perspectiva a respeito de quase tudo. 
É que nos falta tempo para esconder os sentimentos, então estão todas à vista, na boca, na pele, e nos olhos. Principalmente nos olhos.
Bonito isso. Bonito esse amor que anda tão explicito na gente...
E, juro, eu nem sabia que podia desejar de novo um ‘para sempre’.
Agora eu já sei.

Solange Maia

terça-feira, 30 de setembro de 2014

de joelhos...

Afundado entre as almofadas da sala vejo teus olhos fechando devagar ao mesmo tempo em que inspira mais ar do que precisa... desliza a mão pelo peito demorando na curva da nuca como se não percebesse que é assim que me despeço da menina tímida que mora em mim.
Sopra o ar, com o desejo atrelado à sua boca em “ó”, expira lânguida e lentamente, e assim acelera-me o pulso. Sinto a ventania que vem de dentro de você num espasmo orgânico e visceral.
Não tiro o olhar de ti enquanto afasto a tua roupa e passeio devagar por tua pele.
Arqueia o corpo e me encaixo no seu côncavo.
Abro mão de sussurros para que as palavras cheguem sonoras e quentes ao teu ouvido. 
Quero que escute que te desejo.
Escorrego no teu peito até cair de joelhos.
Quero que saiba que te desejo.
Meu cabelo faz sombra onde somos só um. Afasto para que me enxergue.
Quero que veja que te desejo.
E a esta altura somos só sentidos. Tudo exposto, e tudo dito.

Afundado entre as almofadas da sala você devia saber, mas acho que não sabe. É que se chegar mais perto, corre o risco de eu nunca mais te deixar partir.

Solange Maia

sábado, 27 de setembro de 2014

20 segundos de coragem...

'...e nada mais te prende aqui
dinheiro, grades ou palavras
partir, andar, eis que chega
não há como deter a alvorada'
PARTIR, ANDAR - Herbert Vianna

A malabarista no farol tem 9 anos. 10 talvez.
Chove.
As gotas deixam o rosto dela orvalhado, nem se nota o frio.
A menina tem um brilho que é quase um desdém. Uma ironia.
Joga as bolas para o alto, mas não desvia o olhar do moço que a observa de dentro do carro.
Sorri tão sutilmente que nem sei se ele vê, é só um canto da boca que mexe, e o corpo que brilha. Como brilha.

Tem quem pense que a menina não tem nada.
É magra, pálida, e talvez não devesse estar ali.
Mas a menina é livre, uma outsider corajosa, dona de um riso franco. Nada nela é óbvio, tudo está subentendido.

Os olhos são desconcertantes.
O moço do carro nunca se sentiu tão preso, tão pequeno, tão assustado.
E pensava no que tinha para oferecer. Moedas ?
O quanto valem diante dessa menina tão solta, dessa alma tão desalgemada, desses pés descalços ?
O moço, 'protegido' no carro, lembrou-se de um filme que contava a historia de Benjamin Mee, e de uma cena específica, belíssima, em que ele falava que “às vezes tudo que você precisa na vida é de 20 segundos de coragem extrema, 20 segundos de bravura insana...”, e que a partir daí tudo muda, tudo começa a acontecer.
É.
O mundo lhe dá milhões de razões para que você não mude, mas a malabarista no farol gritava o contrário.
Só quem se desprotege sente o sabor da liberdade.
E o moço foi outro pra casa.
Faltava-lhe ar.
Sabia agora o que tinha quase esquecido...
a vida é urgente.

Solange Maia

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

do nosso verbo...

Namorando. Do verbo “completamente feliz”. O que faz com que todas as outras coisas fiquem em outro plano. O que torna tão diminuto tudo que não é esse instante. O que tem me feito sentir a brisa e o furacão, a ternura e o desejo, o inverno e o verão. O que me dá um referencial de dimensão, de importância, de grandiosidade... e, me desculpe, o que tem tornado minhas palavras antigas pequenas. Muito pequenas.

Completamente feliz. E é impressionante como tudo muda, como tudo ganha novo aspecto, como agora há no rosto uma expressão de contentamento impossível de esconder. A corrente sanguínea dobrando a velocidade, uma floresta inteira iluminada, o corpo com saudade. E paz. Uma paz danada.

Tudo muda, e é como se finalmente todas as coisas fizessem sentido, como se todos os caminhos tivessem tido um porquê. Todos. Toda a história. Porque eu já sabia que milagres aconteciam na vida da gente, mas, ao contrário do que se pensa, descobri que os melhores e mais bonitos não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. A gente se prepara sem saber.
Agradeço, então, a todos esses caminhos, que convergiram e nos colocaram diante um do outro.

Ando em estado de graça, boba, risonha... e, deste 'verbo' lindo, o que mais posso dizer ?
Seja bem-vindo, amor.
Ou, sendo mais justa, seja bem-vindo ENORME amor !

Solange Maia

terça-feira, 23 de setembro de 2014

amor, amor, amor...

Não houve música, nem tampouco todas as velas que espalhei pela casa. Nem lençóis de linho, vinho, ou banho demorado. Não houve cenário. Não. Não coube.
Fomos nossa própria canção. O rastro de fogo e luz iluminando toda a casa. Fomos a cama, o colo, a manta, o ventre, o vento e a água...

Fomos os passos cegos nos levando a qualquer chão, as roupas abandonadas no caminho, a boca vermelha de tanto beijar, as mãos percorrendo tudo, tudo, tudo. Fomos cada canto um do outro, a atmosfera, a ventania, os ângulos girando e nos deixando tontos, tontos, tontos.
E, num instante, não havia nem quarto, nem cama, nem nada. Só nós dois. 

A luz acesa nos presenteando com cada mínimo gesto de prazer desenhado no rosto do outro, na boca, nos olhos, na pele. Nenhum sorriso foi desperdiçado. Nada. Nada. Nada.
Fomos essa noite mágica onde tudo queríamos enxergar, onde tudo queríamos sentir, onde tudo queríamos dar. Fomos as minhas pernas descansando sobre a curva das tuas costas, e, finalmente, fomos o que guardamos na gaveta do criado mudo e chamamos de ‘próxima vez’...

Minha mão em concha ainda guarda o teu cheiro.
E assim, completamente entorpecida por essa intimidade tão bonita, já não quero mais escrever.
Não quero mais fazer poesia.
Depois de ontem, só o que quero é fazer amor.

Solange Maia

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

nem sabia que isso existia...

Também não acredito em destino.
Mas então me explica : que alegria é essa ?
Você tem feito com que um sorriso caiba dentro de um beijo, e eu, que me achava tão mulher, nem sabia que isso existia.
Não sabia também que existiam cinco tipos de sorriso, e que, cada um deles nos conduz a um novo lugar.
Oscilamos da ternura ao desejo, da calma à urgência, do inverno ao verão.

Já disse, também não acredito em destino, mas o que dizer de todos os caminhos espirais que nos trouxeram até aqui, e desse carinho que não cansa ?! É tudo imenso, e ao mesmo tempo fragmento. É tudo novo, e ao mesmo tempo muito antigo. 
Estamos presos e sorridentes. E é dessa vontade esmagadora que eu falo, dessa saudade física, desse fôlego que nunca basta.

Se isso não é destino, então é capricho dos Deuses, que fizeram lindamente a parte deles ao desenhar essa linha convergente que nos jogou dentro da história um do outro. E só o que penso é no teu corpo respondendo ao mínimo toque, nas tuas pálpebras se agitando sob os meus lábios, tudo bonito, tudo denunciando que talvez o destino realmente não exista, mas que, com certeza,  esperávamos um pelo outro.

E se agora eu te digo que estou muito, muito, muito feliz, ainda assim não estou falando tudo.
Fica faltando uma porção de coisas, ainda maiores, que já não cabem nas palavras.
Não. não cabem.

Solange Maia