sábado, 11 de fevereiro de 2012

desse mergulho...

Cansei das nuvens.
Tenho buscado terra firme, mas diante de ti é como se eu estivesse na iminência de um salto, naquele minimo segundo em que a gente hesita, quando nossos insitntos ainda tentam nos proteger... é que nada sabemos sobre o amor quando saltamos.
Mas saltamos mesmo assim.
Vamos em direção ao ar, ou ao solo, pouco importa...
É o salto que nos chama, é o desgarrar... É desse mergulho que não conseguimos fugir.
Porque foi para isso que nascemos. Para amar.
Amar até perdermos as fronteiras... até não sabermos mais onde terminamos e onde começa o outro.
Amar é a fusão, o ópio, os sinos, os sonhos...
É a correnteza arrebatadora que não sabemos evitar.
É o mundo, é o medo, é o mar...

O amor nos assusta.
Porque diante dele... somos nada.
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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

do homem de meia-idade...

O homem maduro sempre me interessou. Diante dele sinto um misto de atração e respeito. Nele há sempre uma terna insegurança recoberta por uma camada incontestável de autoconfiança. E é justo essa ambigüidade que lhe confere tanto encanto. Afinal, não há nada mais sedutor do que a vulnerabilidade bem resolvida.

A vida lhe tornou criterioso e seletivo, então estar ao seu lado é estar no lugar da mulher eleita. E foram tantos os caminhos percorridos que dificilmente seria leviano com o coração dos outros. Ele já esteve lá. Talvez por isso seja sagaz, mas sem se impor. E nele há certo desalinho, o que nos põe mais a vontade, o que o torna ainda mais acolhedor...

É firme, embora saiba perfeitamente ser flexível.
Vazio de frivolidades. E cheio de possibilidades.
Um homem de meia-idade pode ser superabundante,
e pode caber como uma luva na vida de uma mulher... de qualquer idade.
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

quando VIVER é bem mais amplo...

Eu não quero promessas.
Promessas criam expectativas
e expectativas borram maquiagens
e comprimem estômagos - Tati Bernardi

- Você não existe amanhã. Ninguém existe.
É essa a fala firme que ouço dentro de mim quando falo com você. Ouço uma voz que me diz : - Vamos, fale prá ele que o amanhã não existe ! E, quando eu quase falo, só o que me sai da boca são inseguranças disfarçadas de delicadezas.

Não falo por que mesmo que esse amanhã realmente nunca exista, mesmo assim você vai estar comigo. Vai estar porque mora nas minhas linhas, porque não foram poucas às vezes que escrevi sobre você. Escrevi da nossa ternura, dos nossos sonhos. Escrevi palavras quentes, que levaram outros homens a um estado de desejo, mas que sempre foram tuas, só tuas. Escrevi coisas profundas, que falavam de tudo que comungamos, mas também falei da dor, com palavras pungentes, que sangraram tanto a tua falta como a tua fantasia.

Você vai estar sempre comigo, a palavra escrita tem esse poder. E, embora pareça triste, de alguma forma, isso também é bonito...

Ah, e um último recado : nunca vou escrever o teu nome, mas você vai se saber ali, porque todas aquelas palavras têm o seu DNA. Todas foram suas um dia, e contaram as histórias de nós dois.

Mas, se você não existe amanhã, que tal VIVER o agora ?
Por que VIVER É BEM MAIS AMPLO, e tenho achado que de vez em quando as palavras magoam meu corpo todo.
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sábado, 4 de fevereiro de 2012

depois do sexo...

Depois do sexo, com os corpos exaustos, se ainda houver espaço para um último toque, um carinho, um olhar mais demorado, pausado no tempo e pousado no outro... então é prá valer. Não é só sexo.
Também é amor...
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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

ela era ao contrário...

A menina era uma ilha ao contrário.
Água límpida, serena e cristalina, cercada de terra por todo lado. Nela os dias amanheciam cheios do reflexo infinito do céu.
Era fluida, espontânea, natural. Opunha-se à rigidez do entorno, tomando a forma do lugar que a continha, mas não perdia em instante algum sua propriedade. Era com delicadeza que impunha e delimitava onde ela terminava, e onde a rocha começava.
Entardecia como se estivesse fechando um ciclo, reverenciava cada pedra, cada encosta que a cercava... e agradecia. Agradecia porque sabia ser amiga do tempo, porque o que a tornava ainda mais água era saber-se líquida a despeito de tanta solidez.
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domingo, 29 de janeiro de 2012

sou de barro...

Não ache que você consegue me entender com meia hora de prosa.
Sou tal qual moringa d’água.
Simples à primeira vista, como uma boa cerâmica, mas quem me vê assim, só querendo matar a sede, só de passagem, não faz idéia da trajetória do meu barro, nem das tantas vezes que desejei mudar o meu destino.
Sou a contra-história, o anti-herói, estou além da superfície. Sou as mãos que me moldaram, as infindas voltas no torno em busca da forma ideal, a descoberta de que não existe forma ideal, sou os fragmentos indesejáveis que foram ficando pelo caminho, os que ainda carrego comigo, sou o que seca devagar, no tempo, o que desidrata, encolhe, retrai, sou o que finalmente amadurece, o menos quebrável, menos frágil. Sou a antítese, o que estatela, o que fragmenta, o contrário, o que acolhe, o que reserva...
Sou o som seco, o estampido, a percussão. Sou a música do Uirapuru, sou a orquestra de barro.
Sou exposta ao tempo, sou o ar que contenho, a água que conservo, o fogo que me endurece, a terra de onde vim...

Não ache que olhos que só têm sede vão me ganhar.
Sou de quem me decifra.
E não sou uma só.
Sou tantas...
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sábado, 28 de janeiro de 2012

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

eu dou brecha para a dor...

Eu dou brecha para a dor.
É que às vezes, tenho a impressão de que essa espera vai acabar, e de que tudo o que deveria ter sido, enfim será.
Passo, então, os dias cuidando desse “vir a ser”.
Até que acordo exausta e vejo que as minhas palavras ficaram surradas.
Pequenas.
E que a vida foi rasgando os instantes que foram nossos.

Então, para me salvar, desisto de você todos os dias.
E, mortificada, me apaixono de novo logo em seguida.

Mas busco o para sempre.
Porém, enquanto não consigo, silencio.
Um silêncio denso de tudo o que eu não sei contar...
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sábado, 21 de janeiro de 2012

a elegância da solidão...

O lugar era lindo, sofisticado, com luzes indiretas e muito bem decorado.
Ele um homem poderoso. Ela tirada de uma revista de moda.
Ele bem relacionado, protegido pelo anonimato falsamente desejado por todo jet set. Fala grave e segura, o olhar enviesado.
Ela engajada em causas sociais, sua terceira esposa, a mais bonita, e a mais jovem. Um sorriso branco, corpo impecável, o olhar oblíquo.
Juntos eram a caricatura do casal perfeito.
Um vinho caro, o bom jazz, faisão e creme de queijo gruyère.
Eles sorriam.
Sorriam quase que ininterruptamente, esforçando-se para que, nem ele e nem ela, percebessem que a noite era linda, a atmosfera perfeita, mas não tinham nada, absolutamente nada, a dizer um para o outro.
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

das "não" perguntas...

Aqui, junto à fronteira, as folhas caem.
E apesar de você estar tão longe,
há sempre duas xícaras na mesa.
Dinastia Tang


Enquanto ouço a bela música, esta e as outras todas que você me apresenta, o mundo continua a girar...  Barulhinhos vindos da sala, uma coruja piando alto, carros lá fora, um ou outro vizinho deixando uma porta bater... e eu tão dentro da canção, tão absorta... Só há espaço para um pensamento leve, quase onírico, desses que me fazem querer descobrir como será o amanhã, como será que você entende o vale que há entre nós, como será que o tempo te atravessa... como, como, como ?
Faço perguntas, mas nem sei se realmente quero as respostas. Talvez nem sejam mesmo perguntas.
Talvez seja só o lugar para onde a música me leva.

Porque as vezes, o que importa, só a matemática sabe explicar. É, simples assim.
Você me contém.
E está contido.
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

de quando é preciso não "pensar"...

Em dias lindos, de momentos simples, e sagrados, como diante de um beijo esperado, ou inesperado, da vista de uma ave solitária rasgando o céu, de uma música percebida ao longe, do vento ondulando a saia da menina que atravessa a rua, devia haver um enorme aviso de “PARE”.
Devíamos contemplar. Intensamente. Deixar o instante entrar... sim, porque tudo é tão finito, e tão absolutamente fugaz. Cada momento desses é irrepetível.
Absorve-o todo. Veja... sinta. Há motivos o bastante para se permitir esse presente.
Diante desses pequenos milagres : não pense.
Não.
Não cometa esse pecado.
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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

de quem é livre...

(foto clicada ontem)

De vez em quando a vida me provoca.
Esfrega-me na cara minha incompletude, minha incompetência.

O homem ali, na areia úmida, espiava o mar e cantava baixinho. Um la-la-ra-lá...
Preso numa cadeira de rodas, e livre naquela contemplação, no ar, no vento que lhe lambia o peito nu.
Solto...
E eu presa.

Ele era seu próprio motivo para estar feliz.
E era lindo.
Eu o amaria.
Fácil.