
E pesa a rotina.
Pesa até a vida.
Acho que é porque ainda não consigo fazer exatamente como eu queria.
Embora dentro de mim tenha muita terra fértil.
Posso ainda não ter a enxada,
mas sim, já estou com as sementes..
Já fui sim menina-caipira.
Nos idos dos anos 70 morei numa cidadezinha rural, de ruas tortas, de terra batida e casinhas de madeira com seus enormes quintais. Eu tinha pouco mais de cinco anos, e é uma das minhas lembranças mais antigas.
Lembro do piano da escola, dos enormes besouros, do poço no fundo de casa, da Igrejinha, do capeletti in brodo, do frio pungente e dos eucaliptos gigantes.
Com eles papai fazia celulose.
E eu fazia poesia.
Sem nem saber.
É que ficava flutuando o olhar sobre aquelas toras de madeira castanha por horas sem fim. Desta maneira tocava com os olhos o que para mim era a felicidade : um tanto de verde, de vento, e o perfume que dava significado ao ar.
Hoje, a despeito de ser (estar) urbana e cosmopolita, vejo eucaliptos daqui da janela de casa, de onde escrevo. E, de alguma forma, estão sempre em meus caminhos.
Cuido para que não sejam só memórias...
Ontem, quando comecei a escrever o blog, eram uma pergunta.
Hoje são só deslumbramento...
Tudo aqui é verdade. Pelo menos é a minha verdade.
É minha maneira ritmada de perceber a vida.
Quero ver “através”, quero desconstruir o óbvio,
Quero celebrar a vida.
E depois... depois quero sentir os eucaliptos.
“Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.”
- A.Cícero -
E, como o “para sempre” se assusta fácil, tenho fotografado para nada perder...
Julliany kotona disse...
ResponderExcluirQue lindo amei suas palavras tocam minha alma bjos de boa noite!
27 de abril de 2011 17:28
✿ chica disse...
Então com elas hás de fazer muito...Lindo! beijos,chica
27 de abril de 2011 17:33
Eva Gonçalves disse...
Ter as sementes é bom... mas é preciso plantá-las um dia... para que o peso da vida pese menos... :) Beijo
27 de abril de 2011 17:36
Malu disse...
E se tem as sementes torná-las viçosas é uma questão de tempo... depois de plantadas a VIDA se tornará mais leve, porém não breve...
Abraços
27 de abril de 2011 22:33
tatiribeiro disse...
Muito lindas tuas palavras, como sempre!
Plantamos a semente, mas nem sempre depende somente de nós, para que elas crescerem. Mas nao podemos jamais deixar de semear.
abraços
28 de abril de 2011 00:13
Blue disse...
Se for amor, aquele amor plantado com carinho,
certamente não brotarão ervas daninhas entre as plantinhas... Enxada, somente para plantá-las. Mas pensando bem, sementes de amor, crescem mesmo sem estar dentro da terra. Basta deixar vingar, regar na quantia certa, deixar ao sol na medida certa.
A planta crescerá, florescerá e dará muitos e bons frutos. E se um dia a planta morrer, é da vida Solange. Faz parte.
Beijo
28 de abril de 2011 09:48
Menina no Sotão disse...
Então estás com o essencial porque é de sementes que precisamos. E se faltar enxadas usamos as mãos. rs
bacio
28 de abril de 2011 10:19
Rolando Palma disse...
"Avião sem asa, fogueira sem brasa..."
Assim canta a Adriana Calcanhoto. O resto da letra... isso são sementes de eucalipto, as únicas que não têm estação certa para nascer.
Tudo de bom para ti,
28 de abril de 2011 12:31
Fran carvalho disse...
Lindo!!!
bj
28 de abril de 2011 14:38
RICARDO disse...
Texto com "aroma de fertilidade".
A vida é uma árvore, a rotina são alguns galhos que precisam ser podados de vez em quando.Mas o que realmente tem peso(e vale) é o grosso caule que se alimenta do seu "querer ser".Aquelas sementes que vc hoje carrega, amanhã serão raízes sustentando o seu "poder ser".
Um grande beijo!
29 de abril de 2011 17:19
Renata Feldman disse...
E além das sementes tem sol, água, afeto e conversa pra fazer nascer o seu jardim.
Beijo!
29 de abril de 2011 22:44