segunda-feira, 11 de setembro de 2017

da minha infância...

É isso mesmo, Bebela e Clarissa estão na praia comendo coxinha!
Coxinha moderna: vem em caixinha de papelão!

Deixo escapar um sorriso nostálgico e lembro-me da praia da minha infância: D Nelcina (linda, pequenininha, o cabelo grisalho emoldurando o rosto negro e o sorriso de poucos dentes) vendia cocada branca num tabuleiro e cocada queimada no outro. Eram feitas no tacho, bem cedo, e ela as carregava até não restar nenhuma. Tinha também o Tio do sorvete de groselha, era vermelho só por 3 minutos, depois restava apenas o gelo branquinho no palito...

A praia tinha caramujos, muitos. E conchas enormes pela manhã. E peixes que nadavam ao nosso lado. Tinha água-viva e tinha siri. A areia quente queimava nossos pés e nossos ombros. A gente descascava!
E ralávamos o joelho, arrancávamos o tampo do dedão, e pisávamos em pregos enferrujados. Uns petelecos de vez em quando, mas todos, todos vivos no fim das contas. 

Soltávamos pipas feitas no final da tarde, fazíamos bolhas de sabão com caule de mamona, jogávamos taco e fazíamos telefone sem fio com latas e barbantes! Tomávamos banho de mangueira e comíamos bolinho de chuva. A gente nem sabia que existia colesterol!
As crianças eram como eram.
Não importava de onde vinham ou o que tinham. 
Tamanco de madeira, chinelos de borracha ou pés na areia. Éramos todos iguais.

E, juro, era tão mais fácil ser feliz!
Tão mais fácil...

Solange Maia

Um comentário:

  1. Sol, é tão mais fácil ser feliz na memória, não é mesmo?
    Essa sua lembrança é também de todos nós. Deu até um aperto no peito aqui.

    Tudo lindo, como sempre.

    Um abraço.

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