terça-feira, 13 de novembro de 2018

de carneiros e lobos...


Minha irmã sempre diz que têm noites em que os carneiros viram lobos escuros, peludos e com muitos dentes.
Nessas horas há dores que não passam e feridas que não fecham.
Tanta gente que nos falta.

Mas na escuridão a vida lá fora se aquieta como se quisesse que a gente escutasse as palavras de dentro.
Como se La Fontaine sussurrasse em nossos ouvidos que, infelizmente, algumas vezes o desejo do "mais forte" prevalece sobre o mais fraco.
E que isso acontece a despeito dos lobos ou daquela parte da gente que sabemos que se foi, e que não volta.
Como se fosse preciso nos lembrar que existem coisas que duram mais do que achamos que conseguimos suportar.

Carneiros espúrios fazem doer pedaços que a gente nem sabia mais existir.
Abrem cadeados de gavetas secretas sem precisar de chaves, só para colocar à vista autoridades ilegítimas e tiranos sorridentes.
Alguns deles nos levam ao chão e mal conseguimos respirar.
Mas nunca, nunca duram para sempre.
E, o irônico é que, são os próprios lobos escuros que nos salvam.

Nos salvam porque quando saem das sombras já não são mais nossos. Ficam à deriva. 
São lobos bobos, donos de discursos ocos e muito, mas muito, mais fracos que os nossos desejos.
Talvez eles não saibam, mas há sempre um sol amanhecendo em outro lugar. Sempre um modo de sair do escuro.

Noites assim me fazem desejar que prevaleça a verdade.
Prefiro distâncias honestas a aproximações hipócritas.
Me sinto livre. E triunfante.
Os lobos que me desculpem, mas sou feita de amor


Solange Maia

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