sábado, 19 de outubro de 2013

fui ali...

não é a primeira vez.
talvez não seja a última.
é que de vez em quando preciso descansar por dentro, e reorganizar as coisas.


se quiser falar comigo :
eucaliptosnajanela@ig.com.br


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

liberdade de araque...

Eu também queria morar nessa colina, mas não, não moro.
Não sei ser desses amores de meia hora, dessa descartabilidade emocional, desse consumismo afetivo. Não sei gostar do prazer passageiro, apressado, e da total falta de sensibilidade dessa gente que usa como bandeira para sua inconsistência os resíduos de outras relações.

Quero sair de casa ‘desarmada’ sem parecer amadora.
O mundo desaba cada vez mais por falta de afeto.

E mesmo que eu corra riscos, mesmo que me torne vulnerável, e que caminhe de vez em quando por vales e abismos emocionais, mesmo assim ainda torço por um amor que queira durar.
É que hoje cedo olhei pra mim mesma, pra essa solidãozinha moderna, pra essa ‘liberdade’ de araque, e fiquei muito, muito cansada.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

o segredo do vagalume...

para Monnica Moraes...


A menina corria ofegante pelas ruas de areia. Vagalumes eram entidades mágicas que ela queria ver, eram luzinhas de Natal fora de hora, estrelas ao alcance das mãos... criaturinhas que vinham prontas e lindas. Talvez por isso corresse atrás deles.
Talvez não.
A menina era fascinada por mistérios, e havia ali qualquer coisa querendo ser atravessada, havia mais do que se podia ver. Ela punha então, curiosa, o bichinho dentro de um enorme pote de vidro e ficava observando-o. Horas. Nem via o inseto, de alguma forma sabia que ele era mais do que a aparência que carregava.
Gostava de seus aspectos mais sutis, de suas pequenas exuberâncias. Olhava, olhava, olhava...
Sentia, muito mais do que sabia.
Devia ser alguma equação mínima, um segredo, um susto, um hiato... sei lá, nunca soube, mas sempre acreditou que descobriria no próximo verão.

O tempo passou.
Um verão. Outro. E muitos outros.
A menina cresceu.

Mas ontem, só ontem, como são todas as coisas que não se explicam, a menina deitada em sua cama viu um vagalume entrar, e não foi preciso mais do que um instante para que ela soubesse.
Soube depois de quarenta verões.
O vagalume carrega nele uma escuridão que ninguém vê.


domingo, 15 de setembro de 2013

feliz de quem sabe imaginar...

Olho para a cortina nova e sua transparência.
Deitada no sofá, tão à toa que o vento desloca facilmente meus pensamentos. Eles dançam, embaralham-se, adquirem sentidos renovados, e nem vejo mais a cortina. Vejo só um véu, cobrindo sem querer cobrir.
Meus olhos atravessam o tecido fino assim como se fossem línguas que desejam não ver. E não ver, nesse instante, é a forma mais generosa de brincar de imaginar...
A tarde terminando quente e perfumada, o desejo nascido do acaso, uma disposição lânguida e preguiçosa... e meus dedos (seriam os teus ?) agora só sabem percorrer os meus caminhos, todos, demoradamente... são horas boas, de vontades amplas e generosas.

Lembro-me, então, da cortina nova e de sua transparência.
Tanta coisa depois dela.
Tanta antes.
Levanto.
Deixo um sorriso de canto de boca pendurado no ar.
Adoro essas horas ébrias em que a consciência é a ultima a chegar.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

os deuses não nos protegem...

Rubem Alves diz que os deuses não nos protegem do medo. Eles nos convidam à coragem.
Gosto tanto desse olhar... e tenho tido dias bem assim, com muitas mudanças, lugares e armadilhas emocionais sendo deixados para trás, coisas já sem sentido ou significado também, gente que não nutria... tudo de uma vez, ao mesmo tempo, como têm sido sempre.
E o medo está lá. Eu sei.
Mas nunca consegue ser maior que a mansidão que sinto nas pequenas (e muitas) alegrias que me cercam.
Minha coragem nasce desse reconhecimento : alegrias são possíveis mesmo na desordem, nos intervalos, nas dificuldades.
Aceito o convite dos deuses.
Aceito também essas mudanças todas. Acolho-as em mim.
Já faz tempo que aprendi a desobedecer o medo.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

algumas coisas demoram...

Abasteço-me de imaginação, visualizo, e desejo muito que aconteça.
Mas algumas coisas não são assim.
Algumas coisas demoram.
Têm seu tempo certo para acontecer.
Por mais que me esforce, que corra atrás, esse tempo não vem. E passo dias repetidos com esse ‘vazio’, querendo tanto ver o que desejo existir.

Então, nesse intervalo, a gente descobre que cresce por dentro. Aprende a aceitar.
E uma coisa é certa, a vida também acontece nessa demora.
E, às vezes, já nem sou mais a mesma pessoa, embora continue imaginando, e desejando...
As coisas mudaram, e agora digo assim :
- Tá tudo bem 'coisa demorada', eu já aprendi a esperar você acontecer.

domingo, 11 de agosto de 2013

dia dos pais... e de quem souber amar...

Hoje quero desejar um Feliz Dia dos Pais diferente... quero desejá-lo para você que é pai, mas também para você que é mãe, irmã(o), tia(o), amiga(o), dinda(o), avó(o)... afinal, pra mim, ser ‘pai’ é viver uma linda experiência de amor, é externizar e eternizar essa benevolência que habita a essência de todos nós, o amor é um instinto primitivo, mas... há que se ter coragem porque amor é entrega e doação.
Por isso acredito que qualquer um que deseje, pode lindamente fazer esse papel. Pouco importa o laço genético, o que vale é a experiência afetiva, a entrega amorosa.
Um amor que é antes de tudo um amor à vida.
Um amor a quem já fomos um dia.
Um amor que desconhece o egoísmo, que é feito para o outro, que é presente que se ganha dando.

Ter tido a oportunidade de viver essa experiência com minha Bebela é um privilegio que agradeço todos os dias.
Quem me conhece bem sabe que não há uma noite sequer que eu não a massageie lentamente antes que ela durma. Demoro em suas costas, nos braços, pernas, em cada dedinho, no pescoço... é um carinho englobador, uma fala que não precisa de palavras, uma declaração de bem querer, um pertencer, um dar que é o mais belo receber que se pode experimentar... 
Sou mãe. 
Mas também sou pai.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

ando muito sozinha...

quero o primeiro olhar da manhã, quero uma música de presente, quero escolher frutas no supermercado, quero palavras simples que me encorajem, quero cozinhar agnolottis com castanhas, quero dividir a manta no sofá, quero levar o cachorro que nem tenho para passear, quero mãos dadas, quero ver um filme que já vimos, quero nem ver o tal filme, quero a doce certeza de que ao estender as mãos encontrarei as tuas, quero telefonemas indisciplinados, de manhã, de tarde, no trânsito, a qualquer hora, quero flores em dias comuns, quero dias comuns, quero estender a toalha da mesa enquanto você põe os pratos, quero ler um conto, quero um vinho tinto, quero ouvir um pássaro, quero contar da minha infância, quero ouvir sobre os teus pais, quero entrelaçar os dedos, quero uma sorte bonita, quero uma sopa quente, quero jogar conversa fora... é... ando muito sozinha.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

qualquer rima pobre que seja rica...

Você tem falado muito baixo. Quase não te escuto.
Ando cerrando os olhos, atenta, como se assim pudesse ver palavras surgindo dentro da tua boca, e, quem sabe, pudessem ser minhas antes mesmo de nascer.
Mas não as vejo.
Vejo só um linho fino, uma névoa, um véu.
Um filtro delicado e bonito, mas que turva o olhar, nos escondendo um do outro.

Já quase não te ouço.
E torço pra que fale qualquer coisa pequena que seja grande, qualquer rima pobre que seja rica.
Qualquer fala sincera que derreta esse muro que nasce do silêncio preguiçoso e cheio de dúvidas que se instalou.

Desconfio que tuas poucas palavras sejam um longo discurso.
Talvez então, dessa história eu nunca saiba o final.

terça-feira, 30 de julho de 2013

mãos soberanas...

Qualquer música, qualquer som, qualquer ruído seriam intrusos.
O silêncio era o verbo.
Era nele que as coisas cabiam. Inteiras.
Aos olhos restava apenas o cerrar das pálpebras.
O momento era para imaginar. Sentir.

Nenhum outro recurso podia ser tão afrodisíaco.
De olhos fechados o amor tinha outra dimensão.
Enriquecia os sentidos.
Aumentava o coração.

Nessas horas as mãos são lentas, acolhem e ratificam.
São soberanas.